Jovens de time amador ganham fôlego no futebol com vaga na Taça BH

Equipe sub-17 da Associação Mineira de Desenvolvimento Humano participará do importante torneio, que começa em julho

iG Minas Gerais | Débora Ferreira |

Lateral João Pedro até abriu mão de posição avançada para ter mais chances o futebol profissional
LÉO FONTES/O TEMPO
Lateral João Pedro até abriu mão de posição avançada para ter mais chances o futebol profissional

A profissão jogador de futebol ainda será por muitos anos a preferida entre as crianças brasileiras. À medida que o tempo passa e os meninos vão crescendo, as escolhas vão mudando, mas alguns insistem em fazer parte da estatística que coloca o Brasil como o maior exportador de atletas da modalidade do mundo, e sonham especialmente com o Velho Continente.

O funil é pequeno e o caminho é extremamente difícil, mas na região metropolitana de Belo Horizonte, a Associação Mineira de Desenvolvimento Humano (AMDH) tenta ser uma porta para os sonhos dos garotos. Em seu quarto ano de trabalho, a organização conseguiu chegar ao quarto lugar no ranking mineiro de bases e será a única equipe não-profissional a disputar a Taça BH, competição que reúne grandes clubes brasileiros na categoria juvenil.

A vaga representa um novo fôlego para os jovens que almejam a tão sonhada oportunidade de vestir uma camisa de peso. “A Taça BH é uma ótima vitrine para quem está participando, e se for da vontade de Deus, vamos conseguir ser chamados para algum time”, conta o jovem João Pedro, de 16 anos.

Com um viés bastante social, A AMDH sobrevive de verbas vindas da lei federal de incentivo ao esporte, e treina em local emprestado, em frente a um clube da Fiat, em Betim. O projeto é voltado a garotos da região metropolitana da capital mineira – neste ano, apenas as categorias infantil e juvenil estão em funcionamento.

E não é só de bola rolando que a equipe sobrevive. Com profissionais experientes no currículo, como o ex-preparador físico da base do Atlético, Wladimir Braga, e o preparador Hebert Soares, que já trabalhou no Haiti com a seleção e no projeto Viva Rio, a associação ainda se esforça para trabalhar o lado cidadão dos seus potenciais atletas.

“Lógico que nosso trabalho é muito pequeno perto de outros grandes clubes brasileiros, mas há uma aproximação de parte de todo o corpo. São conversas pontuais, e até individuais, em caráter de orientação da melhor forma de conduzir as coisas, relativo a comportamento. A gente vê que tem muito atleta no mercado que acaba perdendo as oportunidades que têm decorrentes de tais tipos de comportamento, então tem de se cuidar em relação a isso”, explica o coordenador técnico Marcelo de Souza Rossi.

O caminho ainda é bastante árduo para que os jogadores se tornem profissionais. Mas nada impede que eles se vejam com a camisa amarela, sendo convocados de um grande da Europa. Antes, é preciso dar o primeiro passo, num cenário que tem sido favorável em Minas Gerais. “Com outras equipes estando bem em outros campeonatos, abrem mais oportunidades, então, tende a ter mais atletas dentro do mercado”, conclui Marcelo.

“Gosto do estilo do Marcos Rocha, tento ser igual” - João Pedro

Cientes de que a peneira que leva ao deslumbrante mundo do futebol profissional, os jogadores buscam diversas meios para atingir seus sonhos e vale quase tudo. Até mesmo mudar de posição.

Depois de uma curta carreira atuando como centroavante, o jovem João Pedro, de 16 anos, resolveu ouvir os conselhos do pai e investiu numa função de que o Brasil carece: a lateral-direita.

“Depois que eu fiquei sabendo que aqui (na AMDH) tinha a minha categoria, meu pai me falou: ‘joga de lateral que acho que vai dar certo’. Eu tentei e deu certo mesmo”, revela o adolescente. que apesar de cruzeirense, se espelha no lateral atleticano.

O resultado foi tão positivo que o garoto acabou chamado para o Bahia, onde ficou menos de um ano e disputou a Copa Sub-15, em 2013. Só voltou porque novamente resolveu ouvir a família, que muito o apoia.

“Nas férias que eles nos deram eu tive uma conversa familiar, e a gente optou por ficar aqui mesmo, para ver se consegue outra chance esse ano, outra oportunidade em algum outro time”, contou ele.

“Representar o país é o topo da carreira do jogador” - Arnaldo

Já faz muito tempo que atuar nos gigantes é o sonho número 1 dos atletas de categorias de base do Brasil. As preferências variam, mas o motivo pode ser, por exemplo, jogar ao lado de seu ídolo. No caso do goleiro Arnaldo Ribeiro Pereira, de Betim, o objetivo é se aproximar do Casillas.

“Sempre tive um ídolo que é o Casillas. O Julio Cesar também. Tento me espelhar neles, são bons profissionais, bons homens, tento sempre refletir minhas atuações neles, procuro ver como se posicionam, sempre tento imitá-los. Se eu pudesse ir para qual qualquer time do mundo, iria para o Real Madrid. Lá é outro mundo”, revela ele, que quase teve seu sonho ameaçado.

O jovem chegou a treinar na base do América e acabou dispensado, considerado baixo para sua altura. A confiança ficou abalada, mas a história hoje é apenas passado.

Com maturidade, ele já pensa longe. “Está faltando um pouco de patriotismo nas pessoas, que, deixam de apoiar seu país e preferem pensar só em si. Acho que representar o país é o ápico do jogador”, conclui.

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