'Não procuro mais papéis', diz Catherine Deneuve

Em Cannes para divulgar novo filme, atriz de 71 anos afirma que hoje se interessa por personagens de mulheres ativas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Tapete vermelho.
 Catherine Deneuve foi ao festival de Cannes para lançamento de “La Tête Haute”
BERTRAND LANGLOIS
Tapete vermelho. Catherine Deneuve foi ao festival de Cannes para lançamento de “La Tête Haute”

CANNES, FRANÇA. Ela é a Bela da Tarde de Luis Buñuel, a beldade reprimida de “Repulsa ao Sexo” (1965), a atriz indicada ao Oscar por “Indochina” (1992). Catherine Deneuve, 71, chama os olhares de todos. Foi assim que chegou à cobertura do hotel Majestic, em Cannes, com um atraso charmoso (estava vendo “Our Little Sister”, de Kore-eda), um cigarro na boca, cabelos loiros presos e óculos escuros no rosto. Talvez para afastar um fã mais afoito em busca de um selfie com uma das mulheres mais sensuais do cinema. 

“Odeio tirar selfies, sempre saio horrível, e as pessoas correm para colocar no Facebook. Por isso não temos mais estrelas de cinema”, diz a atriz, em Cannes para divulgar “La Tête Haute” (“De Cabeça Erguida”, em livre tradução), filme que abriu o festival, na quarta-feira (13).

Ela detesta redes sociais. “Os atores precisam de tempo para opinar sobre alguma coisa na internet. Eu não tenho de ter uma opinião sobre tudo o que acontece”.

No drama de Emmanuelle Bercot, Deneuve interpreta uma juíza que se envolve no caso de um garoto delinquente (Rod Paradot) em suas diversas passagens por instituições de reabilitação. “Fiquei surpresa de terem escolhido esse longa para a abertura, porque geralmente é um espaço reservado para temas glamourosos, e nosso filme, apesar de civilizado, é sobre a realidade de um país”, diz ela, pouco deslumbrada com a festa na Croisette (região da cidade onde acontece o festival). “Tapetes vermelhos são chatos. Vejo isso apenas como um trabalho”.

Deneuve não é fácil, mas não é amarga. Mistura cinismo francês com um cigarro Philip Morris atrás do outro, ajudando a compor o clima em meio a respostas curtas e diretas. Como quando explica por que nunca foi para Hollywood. “Não aconteceu. Não recusei uma carreira lá, mas não me ofereceram nada interessante”. Ou os tropeços na trajetória: “Ninguém consegue trabalhar só em obras-primas. Não me arrependo dos meus fracassos, porque tive razões para fazê-los. Talvez as razões fossem erradas, pois nem sempre acertamos”.

Ela só baixa a guarda quando fala sobre a falta de bons papéis para as mulheres, principalmente em Hollywood. “Sempre foi difícil para as mulheres, mas nos Estados Unidos é bem pior, porque elas não têm permissão para envelhecer. Na Europa é um pouco diferente”, aponta a atriz. “Hoje em dia, não procuro mais papéis. Leio roteiros e me interesso se for para fazer uma mulher ativa”.

Deneuve admite que a idade traz uma queda da energia nos sets de filmagens e que tentou convencer (sem sucesso) a filha, Chiara Mastroianni, fruto da relação com o galã Marcello Mastroianni, a não virar atriz. “Preferiria que ela fizesse outra coisa, porque sei como é difícil essa profissão”, confessa Deneuve. “E uma mãe sempre tenta proteger a filha. Atores não são artistas completos. Somos apenas parte de um time comandado pelos diretores”.

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