Sustentável leveza na vida

Apresentador conta que, mesmo por aparecer na televisão diariamente, não se considera uma celebridade

iG Minas Gerais | luana borges |

Animação. Chico Pinheiro destaca que fé e esperança são ingredientes para levar a vida com mais leveza e bom humor
Isabel Almeida/czn
Animação. Chico Pinheiro destaca que fé e esperança são ingredientes para levar a vida com mais leveza e bom humor

Nada parece estressar Chico Pinheiro. Nem mesmo a rotina agitada de apresentar um telejornal diário como o “Bom Dia Brasil”. Simpático e dono de uma fala mansa, o jornalista se perde no tempo ao fazer o que mais gosta: contar histórias. E é com a mesma descontração e leveza que exibe na televisão que ele conduz sua vida e carreira. “Esse é meu jeito, eu não sou apresentador, âncora, essas coisas importantes. Sou um repórter que apresenta um jornal”, simplifica, sem falsa modéstia. Justamente por falar de notícias pouco – ou nada – palatáveis na maioria dos casos, Chico achou por bem adotar uma postura mais animada à frente do jornalístico. “O dia inteiro tem acidente, violência, falta de água, falta de luz, preço que sobe... Se você acorda para trabalhar, liga a televisão e vê um cara falando baixo e sério, se apavora e volta para a cama. O que eu posso fazer é acordar as pessoas e dizer, nas entrelinhas ou na postura, que há esperança”, justifica. Chico Pinheiro é gaúcho, mas foi morar em Belo Horizonte ainda bebê. Foi lá que iniciou a carreira em jornais como “Diário de Minas” e “Jornal do Brasil” até ingressar na Globo Minas. Depois, teve passagens pela Band e Record e retornou à Globo para ancorar o “Bom Dia São Paulo”. “Voltei em 1996, no dia 1º de janeiro. Completamos 19 anos”, recorda. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro e apresentar o “Bom Dia Brasil”, ele ainda ficou à frente do “SPTV” por 13 anos. No fim de 2014, com a entrada do “Hora 1” na grade da Globo, o “Bom Dia Brasil” ganhou meia hora de duração. Como você avalia a nova dinâmica do jornalístico? Essa meia hora a mais de duração tem facilitado as entradas ao vivo. Temos muitas praças que entram ao vivo: Rio de Janeiro, São Paulo, Londres, Japão, às vezes Estados Unidos. Então, temos tido mais tempo para trabalhar essas entradas, que não são tão fechadas como as matérias. Você sabe quanto tempo uma matéria vai levar no ar. As entradas ao vivo, não. Porque tem conversa, tem comentário do Alexandre Garcia, tem esporte. Tudo isso deixa o jornal um pouco mais tranquilo de fazer. Você tem um jeito descontraído de apresentar o “Bom Dia Brasil”, apesar da formalidade com que a Globo trata seu jornalismo. De onde vem seu bom humor? Para mim, humor depende de ponto de vista e escolha. E de fé. Quem tem fé e tem esperança não tem porque não manter o bom humor. Diante da estupidez do terrorismo, da covardia contra a liberdade, contra os pobres, diante dessas injustiças todas que a gente vê no mundo, só há uma possibilidade, que, para mim, é a fé e a esperança. Isso faz você começar a ver as coisas dentro de uma perspectiva diferente. Eu procuro estar de bom humor o dia inteiro. Os jornalistas que trabalham em televisão acabam ganhando status de celebridade por parte do público. Como encara essa situação? Na televisão, aparecem desde Tarcísio Meira até a mais nova revelação da teledramaturgia. De vez em quando, Paul McCartney, Madonna, Justin Bieber... A gente também aparece ali e as pessoas acham, inconscientemente, que pertencemos a esse mundo das estrelas. Mas não pertencemos. Eu ando na rua, ando de metrô, vou ao supermercado. Eu não sou daquele povo, eu sou repórter. Definitivamente, a gente não é celebridade. Ai daquele que se julga celebridade.

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