Amores que são de matar

Ar sombrio de “Amorteamo”, atual série da Globo, que vai ao ar às sextas, chama mais atenção que história

iG Minas Gerais | luana borges |

Dupla. Daniel de Oliveira e Letícia Sabatella protagonizam cenas importantes da trama da Globo
GLOBO/Alex Carvalho
Dupla. Daniel de Oliveira e Letícia Sabatella protagonizam cenas importantes da trama da Globo

A estética de produções cabeça parece ser a grande aposta da Globo para suas séries. Figurinos carregados de informações, um ar sombrio nos cenários e linguagem rebuscada são alguns dos elementos que compõem “Amorteamo”. Toda essa densidade só é possível de ser absorvida porque a história é contada em apenas cinco episódios, durante uma vez por semana. Se fosse uma novela, seria pesado demais acompanhar diariamente. Ainda mais por ter como temática principal a morte, que funciona quase como um personagem principal na série. Em alguns momentos, o gênero terror, ainda pouco explorado pela teledramaturgia brasileira, aparece com mais força. Em outros, a delicadeza e a poesia imperam através de um texto mais rebuscado e músicas interpretadas pelos próprios atores. De uma forma ou de outra, a morte está sempre à espreita e é mostrada nas mais diferentes situações. Seja quando um passarinho morre e o menino quer enterrá-lo no cemitério ou quando o grande amor da vida de uma mulher é assassinado por seu marido traído.

Com um quê de “A Noiva Cadáver”, de Tim Burton, “Amorteamo” utiliza a prosódia para criar sua própria identidade. Mas o que os atores falam não é de suma importância, já que nem sempre é possível entendê-los. A ação da sequência se sobrepõe ao texto muitas vezes.

Apesar do capricho da fotografia, dos figurinos, dos cenários e da direção de Flávia Lacerda, a história em si não é das melhores. A maneira como as situações se desenrolam é para lá de arrastada. Obviamente, o naturalismo não faz parte da proposta da série – que muito lembra a estética de produções dirigidas por Luiz Fernando Carvalho. Mas falta uma fluidez no texto e sequências que façam o telespectador não ter vontade de tirar os olhos da tela. Isso, definitivamente, não acontece. Chega a ser cansativo assistir a um episódio inteiro.

O que quebra um pouco essa sensação é a trilha sonora vibrante. Boa parte das canções foram feitas pelo compositor pernambucano Juliano Holanda especialmente para a série. Por isso, a história acaba sendo contada também através das músicas que, mais uma vez, funcionam como um outro personagem em cena.

Apesar do marasmo generalizado na trama, há de se reconhecer o trabalho dos atores. Todos estão bem em suas sequências e demonstram domínio sobre seus personagens. Principalmente Letícia Sabatella, Daniel de Oliveira e Jackson Antunes, que dividem as cenas mais tensas e emocionantes. Escrita por Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno, “Amorteamo” está longe de ser uma produção arrebatadora. Mas a intenção de levar ao ar propostas novas e com qualidade estética já é válida por si só.

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