Riso múltiplo na telinha

Humor de stand up e referências da internet inspiram programas de comédia da televisão aberta

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

undefined
Afonso Carlos/Czn
undefined

Reciclar velhos clichês e misturá-los com referências mais atuais é uma estratégia muito utilizada pela televisão. Dessa forma, é possível seguir tendências enquanto mantém a base de programas que fizeram história na programação ou que já estão no ar há muito tempo. A comédia é um gênero que vem se renovando aos poucos no vídeo e se mostra em um momento de transição. Pelo desgaste de ideias ou simples desinteresse do público, poucos programas clássicos de humor resistiram ao tempo. E de formas distintas na TV aberta, “Zorra Total”, da Globo, e “A Praça É Nossa”, do SBT, mostram que o riso busca por dias melhores, mas ainda têm poder de fogo na programação. “A qualidade e relevância de um programa de humor são medidas pelo riso que ele causa no espectador. Mas é possível ir além. A comédia tem muitas formas de se sobressair e é parte fundamental de uma boa programação. Não dá para ficar com um produto tão rico em mãos e deixá-lo obsoleto”, acredita Marcius Melhem, principal redator do novo “Zorra Total”, agora intitulado apenas como “Zorra”.

No ar desde 1999 e por muitos anos sob o comando de Maurício Sherman, o “Zorra Total” nunca deu muito espaço para a novidade. Mesmo ao angariar novos talentos, como Marcos Veras e Katiuscia Canoro, sempre dava um jeito de adaptar tudo ao formato do programa, com fortes referências ao humor de bordão, estética de cabaré e teatro de revistas. “Nos bastidores, o forte do programa é o aprendizado que o elenco mais novo poderia ter com os mais experientes. Era uma troca muito bacana de diversas escolas de humor”, garante Fabiana Karla, intérprete de vários personagens na produção. A atriz é uma das que continua após a grande e recente reformulação feita na produção. Comandado por Marcius Melhem e pelo diretor de núcleo Maurício Farias, o novo “Zorra” não tem a pretensão de romper totalmente com o anterior, mas busca um diálogo com diferentes formatos cômicos, antigos e clássicos como a “TV Pirata” e as novidades vindas da internet. Sobretudo, com o esquema rápido, irônico e por vezes voraz, da turma do Porta dos Fundos. “Buscamos uma velha nova fórmula de entreter o público. Nossa proposta para o programa foi de renovação de linguagem. É possível falar de tudo, desde que a piada seja boa e com conteúdo relevante”, avalia Farias.

Símbolo de humor antigo, mas que ainda tem seu público, “A Praça É Nossa” preza pelo seu status de clássico e nunca pensou em mudanças tão drásticas para seu formato e conteúdo. “Estamos felizes com tudo que construímos nesses 28 anos de SBT. A ‘Praça’ não está parada no tempo. Apostamos em novos talentos sempre”, conta o diretor geral Marcelo de Nóbrega, filho do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega. Nomes clássicos como os finados Ronald Golias e Jorge Lafond já passaram pelo programa. E, nos últimos anos, a produção tem prestado atenção em figuras de destaque da cena stand up do teatro paulistano. Foi assim que humoristas como Otávio Mendes e Marcelo Médici conseguiram sua estreia na televisão. “Acho muito interessante o cara conseguir entreter toda a plateia apenas com suas ideias. Acho que isso combina com o programa e seu humor simples e circense”, acredita Carlos Alberto.

Por muito pouco o SBT não iria ter dois expoentes do humor em seu casting. A emissora quase fechou com os comediantes do Porta dos Fundos, em 2013. No entanto, de olho no mercado internacional, o grupo acabou assinando com o canal pago Fox. No ano passado, Fábio Porchat negociou um programa solo com a emissora, mas também não teve seu acerto final. “Eu fiquei muito tentado, mas não iria conseguir conciliar com a agenda de trabalho do grupo e meus outros projetos”, justifica Porchat.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave