Feira em BH estimula o desapego e a gentileza urbana

Ideia do evento é compartilhar um gesto amigo ou o que se tem de sobra em casa

iG Minas Gerais | da redação |

A primeira edição da feira em Belo Horizonte foi em maio de 2013
Foto: Iraci Dutra / DIVULGACAO
A primeira edição da feira em Belo Horizonte foi em maio de 2013

Um lugar que se propõe a compartilhar de tudo, de um abraço apertado a uma peça de roupa que estava encostada no armário. Essa é a proposta da Feira Grátis da Gratidão, que será realizada neste domingo, a partir das 13h, na praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital.

Inspirado nas “Gratiferias Argentinas” – feiras de doações que são populares por lá – o projeto espera que não haja trocas, vendas ou compras: só doação do que se tem de sobra e se não quiser levar nada, também fique à vontade. “Podem compartilhar bens como discos, pedaços de bolo ou até mesmo um abraço, uma palavra amiga e a oferta de um talento, como fazer uma massagem em alguém”, explica a organizadora da feira, Izabela Tostes.

O marketing digital Matheus Fonseca, 24, conta que participou das duas últimas edições do evento, que acontece uma vez a cada trimestre, e logo curtiu a ideia. “A gente tem um monte de coisa em casa que não utiliza mais e fica apenas ocupando espaço, mas que pode ser muito útil para outras pessoas”, disse.

Segundo ele, o evento trouxe um novo conceito para a sua vida: o desapego. “Você só vai encontrar no meu guarda-roupas as peças que utilizo no cotidiano. Na minha estante, só os livros que já li pelo menos duas vezes e os meus filmes favoritos. Ostentação é a palavra do momento, e as redes sociais potencializam muito esse movimento. Por esse motivo, as pessoas acabam esquecendo que para serem felizes elas não precisam de tantos bens materiais. Dá pra ser feliz com o necessário e é isso que eu procuro pra minha vida”.

Para o psicólogo e especialista em comportamento Cláudio Paixão, a prática do desapego não é um exercício tão fácil de se fazer na atualidade. “As pessoas foram se fechando em seus mundos, em uma sociedade de consumo que incentiva o indivíduo ser diferente do outro e se distanciar para viver as suas próprias preocupações”, explicou.

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