Nem Minha Casa, Minha Vida será poupado de cortes

Reunião do Planalto começa a definir tesourada

iG Minas Gerais |


Mistério.

 Joaquim Levy participará da reunião de hoje e evitou fazer prognósticos sobre o encontro
NUNO GUIMARÃES
Mistério. Joaquim Levy participará da reunião de hoje e evitou fazer prognósticos sobre o encontro

BRASÍLIA. O contingenciamento de R$ 78 bilhões no Orçamento de 2015 sugerido pelo Ministério da Fazenda certamente incidirá sobre investimentos e não poupará programas prioritários, obrigando o governo a rever metas, conforme integrantes do alto escalão do governo. Uma das principais vitrines das gestões petistas, o Minha Casa Minha Vida também deve ser atingido pelo congelamento de despesas, que visa ao cumprimento da meta de superávit primário. Incomodados com a severidade do bloqueio previsto, ministros pressionam o Planalto para, ao menos, salvar suas pastas da paralisia, mantendo as ações essenciais.

Neste domingo, a presidente Dilma Rousseff se reúne com os titulares da junta orçamentária (Casa Civil, Planejamento e Fazenda) para debater o tamanho do contingenciamento, que será anunciado até sexta-feira. No encontro, os ministros vão analisar o peso das modificações promovidas pela Câmara nas medidas provisórias do ajuste fiscal e trabalharão com possíveis cenários para a votação do projeto de lei que revê a política de desoneração da folha.

Se os deputados também flexibilizarem as regras da proposta na votação de quarta-feira, a tendência é que a “tesourada” radical seja confirmada, disseram auxiliares da presidente.

A previsão inicial da Fazenda era economizar R$ 5,35 bilhões em 2015. Conflitos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atrasaram a tramitação da proposta no Congresso e já obrigam o governo a refazer a projeção.

Preparação. Neste sábado, Dilma fez uma reunião preparatória com auxiliares. O Planalto dá como certo que a severidade do bloqueio causará reações não só na base aliada, mas dos ministros de Dilma, que lutam para preservar seus projetos prioritários. Entretanto, um ministro admitiu, reservadamente, que não há como evitar cortes em investimentos.

O impacto no Minha Casa deve afetar o ritmo de assinaturas de novos contratos previstos na terceira fase do programa, promessa de campanha que Dilma reiterou na terça-feira, no Rio.

Transportes

Mais leve. Na área de transportes, a expectativa é de que o pacote de concessões a ser anunciado alivie o impacto dos cortes em obras de construção de novos trechos rodoviários e ferroviários.

Meta é gastar no mesmo nível de 2013 O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse neste sábado, em Florianópolis, onde fez uma palestra, que o país tentará voltar ao nível de 2013 no que se refere aos gastos do governo. Segundo ele, o nível daquele ano representa a disciplina necessária para caminhar na direção da meta fiscal. “É um exercício de disciplina. O ano de 2014 foi além do que a gente pode suportar. 2013 foi um ano bom, uma boa linha de referência, afirmou em entrevista”, disse, evitando tratar da reunião marcada para este domingo.

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