Golpistas que tentaram tomar poder no Burundi são espancados na prisão

Os 17 homens detidos após a tentativa de golpe fracassado, lançado na quarta-feira pelo general Godefroid Niyombare, foram torturados, segundo o advogado de um dos militares

iG Minas Gerais | Folhapress |

SÃO PAULO, SP - A procuradoria do Burundi, na África, ouviu neste sábado (16) 17 golpistas detidos após a tentativa de golpe fracassado lançado na quarta-feira pelo general Godefroid Niyombare, que continua desaparecido, indicou o advogado de um dos militares.

Os 17 homens, entre os quais o número dois do movimento, o general Cyrille Ndayirukiye, e dois delegados de polícia, Zeno Ndabaneze e Herménégilde Nimenya, ainda não foram indiciados, de acordo com o procurador-geral, Anatole Miburo. No entanto, eles são "acusados de tentar derrubar as instituições", disse o advogado.

"Eles foram severamente espancados, particularmente Ndayirukiye", acrescentou, informando que os serviços de inteligência forçaram o general a gravar confissões públicas transmitidas pela rádio e televisão nacionais do Burundi.

Ele acrescentou que os réus estão detidos desde sexta-feira ilegalmente pelos serviços de inteligência.

O general Ndayirukiye anunciou na quinta-feira à noite à AFP o fracasso do golpe lançado contra o presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza. O comissário Zeno Ndabaneze anunciou, por sua vez, a rendição dos golpistas.

Terceiro mandato

O presidente Nkurunziza chegou na tarde de sexta-feira a capital Bujumbura, dirigindo-se imediatamente ao seu palácio presidencial. Ele estava em sua cidade natal, Ngozi, cerca de 140 km a nordeste, onde passou a noite depois de retornar ao Burundi por terra, vindo da Tanzânia. Nkurunziza se viu bloqueado no país vizinho pela tentativa de golpe de Estado.

No mesmo dia do retorno, manifestantes voltaram a se reunir para protestar em várias cidades contra a intenção do presidente de disputar um terceiro mandato, medida considerada inconstitucional pela oposição, já que Nkurunziza está no fim de seu segundo mandato.

Desde o anúncio, em 25 abril, de sua candidatura, Bujumbura foi palco de manifestações, muitas vezes violentas, que deixaram mais de vinte e dois mortos.

Aterrorizados por um clima pré-eleitoral muito tenso, mais de 105.000 burundineses fugiram para países vizinhos nas últimas semanas e as Nações Unidas se preparam para a chegada de milhares de outros refugiados.

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