Vida após ‘Mad Men’

Figurinista: Após sucesso recriando os anos 60 em ‘Mad Men’, Janie Bryant tem novos projetos

iG Minas Gerais | Alexandra Jacobs (NYT) |

Ao longo de sete temporadas, “Mad Men” funcionou como uma viagem no tempo e apresentou um panorama de moda e estilo nos anos 60 até o início dos 70
Ao longo de sete temporadas, “Mad Men” funcionou como uma viagem no tempo e apresentou um panorama de moda e estilo nos anos 60 até o início dos 70

Quando for ao ar o derradeiro episódio da série “Mad Men”, na próxima segunda-feira (18), às 21h, pela HBO, chegará ao fim mais que a saga vivida pelo publicitário bonitão e cafajeste Don Draper (Jon Hamm), através da qual foi possível traçar um panorama das transformações vividas pelos EUA e o mundo nos anos 1960. Terminará também um verdadeiro fenômeno pop, que trouxe de volta todo o estilo da longínqua década. O furor em torno das peças do vestuário e da decoração da série foi tanto que, neste ano de despedida, foram realizadas exposições e doação de peças do figurino e objetos de cena a museus. Uma das responsáveis por este frenesi foi a figurinista Janie Bryant. “Mad Men” indiscutivelmente fez de Janie a profissional mais conhecida dessa área desde Edith Head, a lendária figurinista dos anos dourados de Hollywood, e, agora que a série chega ao fim, ela – uma beldade morena, de olhos azuis e com 20 anos de experiência no show business – reformula suas ambições. Quer algo mais grandioso, mais poderoso. Janie tem promovido sua nova linha de sapatos pela Shoes of Prey, empresa australiana que permite aos clientes personalizar sapatos de salto alto, salto baixo ou sandálias, de acordo com suas especificações. “Eu queria usar essas cores lindas, fortes. Sempre achei que o verniz é como laca nos pés”, disse ela durante o lançamento da coleção na Nordstrom, no shopping Westfield Garden State Plaza de Paramus, Nova Jersey. Atrás de Janie, estavam enfileirados sete estilos inspirados pela época que, por bem ou por mal, se tornou seu cartão de visita: a década de 60. “O importante é o salto e a plataforma. Tem a ver com ousadia, com força, ser uma mulher absolutamente poderosa”, disse, mostrando seu lado Peggy Olson (Elisabeth Moss), a secretária que tornou-se a redatora-chefe de uma das maiores agências de publicidade de Nova York em “Mad Men”. “Quero ser uma marca de estilo de vida”, havia declarado duas semanas antes da apresentação de sua coleção. Com as unhas pintadas de pink e as mãos firmes no volante de sua Mercedes branca, cruzando a rodovia 101 em Los Angeles, Janie se dirigia ao escritório da Black Halo, uma das muitas empresas com as quais faz negócios. “Sou obcecada por roupa de cama, porcelana, prataria, diversão, casa, enxovais, lingerie, camisolas”. Ela também está “obcecada” por botões de strass, perfume, a cor vermelha e os mosaicos de porcelana que são destaque, juntamente com o Emmy que ganhou de série da HBO “Deadwood” (ela foi indicada sete vezes, quatro por “Mad Men”), no hall de entrada da casa no bairro de Los Feliz que divide com o marido, Peter Yozell, gerente de turnês que já viajou com Lorde, e seus poodles, Lucie e Prince Valiant. “Teve uma época em que fiquei obcecada por muffs (aquecedores de mão)”, disse ela em seu closet do tamanho de uma sala, apontando para um armário alto cheio deles. Mais tarde, analisando um tecido estampado que usou em um dos 19 vestidos e macacões que projetou para a Black Halo, ela revelou: “Estou totalmente obcecada por esse floral”. Objetivo: “Vogue” Mas Janie tinha um plano especial reservado a outro vestido da Black Halo, curto e azul clarinho, com mangas dramaticamente bufantes. “Eu queria fazer algo digno de um editorial. Quero a ‘Vogue’. É isso que eu quero”, disse ela, usando um termo da indústria para projetos ousados. Anna Wintour pode não estar batendo na porta de Janie ainda, mas além da atriz Elisabeth Moss – que estrela uma peça na Broadway, “The Heidi Chronicles” –, ninguém envolvido com “Mad Men” aproveitou a série com tantos projetos novos, com ênfase na “marca”. Seu currículo de estilista agora inclui Banana Republic, Brooks Brothers, eBay, móveis Eko, joias da Hearts on Fire, Mack Weldon (roupa íntima masculina), Maidenform (lingerie) e QVC. ___ Figurinista quer deixar era vintage Ao longo das últimas sete temporadas, mesmo quando a narrativa de “Mad Men” desacelerou, ou quando os críticos discutiam a atuação de January Jones (a Betty Draper do seriado), as escolhas de vestuário de Janie Bryant, feitas com a ajuda do produtor Matt Weiner e uma equipe de 12 pessoas, raramente encontraram observações desfavoráveis nas mídias sociais, onde são analisadas com um fervor semelhante ao que aconteceu com as roupas de Patricia Field para Sarah Jessica Parker em “Sex and the City”. “Adorei que Megan usou esse vestido novamente no episódio da noite passada”, escreveu um dos 69.100 seguidores de Janie no Twitter sobre o vestido curto, azul claro, com mangas de chiffon plissado no qual a atriz Jessica Paré recebeu Don Draper em Los Angeles no início da sétima temporada e que foi tristemente escondido sob uma capa de chuva no episódio “New Business”, depois que se separaram. Em uma entrevista por telefone, Jessica chamou Janie de “querida”, disse que tentam almoçar juntas toda semana e creditou a evolução de seu personagem, que começou “com tão poucas falas”, aos figurinos, desde vestidos mais simples, até a armadura reluzente da esposa de um executivo, passando por jeans e blusa de camponesa, lingerie e roupas de banho. “Com a Janie, houve vezes em que achei que não ia conseguir acertar, mas ela sempre me apoiava e tentava me animar”, disse Jessica. Kiernan Shipka, que interpreta a jovem Sally Draper, a quem Janie começou vestindo com vestidos de golinha comportada até chegar às botas coquetes, disse que a considera uma mentora. “Trocamos um monte de mensagens de texto. Ela é muito inteligente. Quando falamos sobre estilos ou sobre a vida, ela sempre tem um bom conselho para dar”, disse Kiernan. Mas Janie se queixou que continua recebendo convites para trabalhar com o período de meados do século XX. “Estou esperando por um período diferente. Barroco francês, romântico”. Isso se ela continuar trabalhando com figurino. Porque seu ídolo não é Edith Head, mas Oscar de la Renta, que além de coleções prêt-à-porter (com itens que apareceram na sétima temporada) também licenciou jogos de cama, pratos, óculos e malas. “Posso parar de ser conhecida pelo vintage? Todos me perguntam sobre ‘Mad Men’; as pessoas querem que eu faça aquilo pelo que sou conhecida, mas me canso das coisas rapidamente”, afirma.

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Curiosidades “Mad Men” foi indicada a 105 estatuetas do Emmy, quatro indicações para o figurino, e conquistou o prêmio de melhor série dramática por quatro anos seguidos (2008, 2009, 2010 e 2011). Alta costura: Segundo a figurinsita Janie Bryant, a equipe ficou surpresa quando percebeu traços do figurino da série em desfiles de grandes grifes como Prada, Louis Vuitton, Vera Wang e Michael Kors. Megan Draper, com seu estilo diva do cinema, é a personagem que Janie Bryant mais gostou de vestir na série. Desejo: Até a Barbie se rendeu ao estilo “Mad Men”. Bonecas como a da personagem Joan Holloway estão à venda pela bagatela de US$ 229. Para quem perdeu: as seis primeiras temporadas da série estão disponíveis no serviço de streaming Netflix.  

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