BH dos museus

Prestes a ganhar novos acervos, capital recebe a 13ª Semana dos Museus, oportunidade de conhecer não só os grandes espaços da cidade,mas também coleções que muitas vezes passam despercebidas ao morador da cidade

iG Minas Gerais | Fabiana Senna |

Tem, sim senhor - Recortes de jornal e fotos anunciavam a chegada do circo na cidade e integram acervo
DENILTON DIAS / O TEMPO
Tem, sim senhor - Recortes de jornal e fotos anunciavam a chegada do circo na cidade e integram acervo

Ao longo de mais de 30 anos, a teatróloga e pesquisadora Sula Mavrudis reuniu objetos e documentos que celebram a memória da arte circense e, há dez anos, ela tenta fazer com que esse acervo saia das caixas enfileiradas nos cantos da sua casa para se tornar patrimônio da cultura mineira. O sonho da artista e da Rede de Apoio ao Circo, que preside, e que conta com mais de 60 associados, está prestes a se tornar realidade. Até o final do ano, a prefeitura de Belo Horizonte deve concluir a restauração da antiga Estação Ferroviária da Gameleira e fazer a entrega do terreno à rede. O local vai abrigar o primeiro Centro de Referência do Circo de Minas Gerais e, provavelmente, será um dos maiores do mundo.

A ação de Sula acontece na esteira de uma tendência no país que é o processo de valorização das memórias de grupos sociais que historicamente tiveram negados os seus direitos à preservação de acervos nos museus. “As pessoas estão buscando preservar, ressignificar e difundir histórias antes silenciadas. Todos partem dos princípios da memória enquanto direito e vontade. Uma outra versão da historiografia oficial desses espaços está sendo recontada, não como uma verdade única, mas como uma outra possibilidade”, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Museologia, Carlos Roberto Ferreira Brandão, que realiza a partir desta segunda-feira (18) a 13ª Semana dos Museus em todo o país (confira destaques da programação nesta página).

“Mais do que preservar a história do circo, o que pretendemos é criar formas da sociedade interagir com essa arte, fomentar reaproximações entre as famílias circenses, disponibilizar material para a produção de conhecimento, além de dar a oportunidade para os pequenos circos trazerem seus espetáculos para a capital”, analisa Sula. A Cidade do Circo, como foi batizada, terá escola e biblioteca especializadas, centro de memória e espaço para as companhias circenses montarem suas lonas. Serão expostas mais de 20 mil fotos da vida sobre o picadeiro e recortes de jornais e panfletos que anunciavam a chegada dos circos nas cidades; centenas de filmes, documentários e vídeos dos espetáculos; além de livros, gibis, vestuários e outros objetos. Alguns desses registros são centenários.

Também na Estação da Gameleira será construído o primeiro museu que vai resgatar a história da saúde pública no Estado. O acervo de equipamentos e mobiliários usados para a produção do conhecimento científico no início do século XX, atualmente expostos na Fundação Ezequiel Dias, ganhará espaços dinâmicos e exposições interativas.

“Não se deve pensar em museu como lugar de guardar velharias. Os museus estão vivos. Para além das práticas museológicas, há várias possibilidades a serem exploradas. A integração entre duas artes tão distintas – a ciência e o circo – é uma prova disso”, avalia o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas José de Oliveira, que em parceria com a Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais promove a viabilização do uso do terreno para a instalação da Estação Ciência e Cidade do Circo.

Novidades no Inhotim

A 13ª Semana dos Museus foi a escolhida pelo Instituto Inhotim, um dos mais importantes museus do país dedicado às artes contemporâneas e localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, para inaugurar um novo espaço, a “Estação Educativa”. Trata-se de um local de convivência, consulta e aprofundamento sobre as exposições e obras do museu.

“A iniciativa aproxima o museu do seu público, por meio da exploração mais intensa de acervos e da programação diferenciada. O tema da Semana dos Museus deste ano – “Museus para uma Sociedade Sustentável” – vai possibilitar ainda trabalhar as peculiaridades do nosso acervo botânico, com oficinas que levam os participantes a refletir sobre a sua contribuição para um mundo mais sustentável”, pondera a gestora de Educação do Inhotim, Maria Eugênia Salcedo.

UFMG oferece graduação em museologia

Minas Gerais possui a segunda maior concentração de museus do país (318, segundo o Iphan), o que torna o Estado um campo fértil para quem deseja trabalhar nessa área. Desde 2010, a UFMG oferece aos interessados na temática a formação em museologia. 

“Os museólogos são profissionais dedicados à preservação e reflexão sobre a memória coletiva, agindo como mediadores entre a sociedade e seu patrimônio”, afirma o coordenador do curso, o professor Luiz Henrique Garcia.   Segundo ele, o campo de atuação profissional tem sofrido uma rápida expansão em todo o país, em virtude dos investimentos públicos e privados na criação de novos museus e na requalificação dos antigos.    Futuro Novidades - Outros projetos estão em andamento na cidade. O Museu Interativo do Sexo irá recriar a rotina do baixo centro da capital; um espaço dedicado à memória do Clube da Esquina já tem acervo inicial reunido sob a guarda da UFMG. E um museu de artes sacras da Arquidiocese de BH deverá erguido no edifício da nova catedral a ser construída na região de Venda Nova.   Há um museu no caminho Uma caminhada pela orla da Lagoa da Pampulha pode reservar mais do que um momento de descontração ou atividade física. Logo ali, às margens do cartão postal, muitas vezes passa despercebido um importante imóvel do período modernista da cidade. É a Casa Kubitschek, residência do presidente Juscelino em Belo Horizonte e que, há pouco mais de um ano, transformou-se em museu, com um interessante acervo de móveis, fotografias, vídeos e instalações alusivas aos modos de habitar de 1940 a 1960.   E muitos dos que passam apressados na movimentada avenida João Pinheiro também não sabem que há mais 30 anos funciona ali o Museu Mineiro, que abriga pinturas históricas, achados arqueológicos, conjuntos de moedas e de armas, imagens sacras e outros objetos datados dos séculos XVIII e XIX. Menos ainda imaginam que exista na cidade um museu dedicado a resgatar o período da inquisição, no bairro Ouro Preto. Ou outro mais divertido, com um conjunto de mais de 5.000 brinquedos.   É isso mesmo. Além do rico patrimônio dos museus consagrados na capital mineira, como o de Artes e Ofícios, na praça da Estação, e os mais que integram o Circuito Praça da Liberdade, além do conceituado Inhotim, em Brumadinho, há espalhados pela cidade acervos interessantes que consolidam a prática da museologia em Minas Gerais – que é o segundo Estado no país em número de museus, com 319 unidades e está prestes a aumentar a estatística, com novos espaços que estão para ser instituídos em Belo Horizonte.    E uma boa oportunidade para conhecer esses espaços é a programação da 13º Semana Nacional dos Museus, que começa na próxima segunda (18), data que marca a celebração do Dia Internacional dos Museus, e vai até domingo (24). A iniciativa é realizada com programação gratuita, em vários espaços culturais da capital mineira. Seminários, exposições, oficinas, musicais, espetáculos de teatro e de dança, exibição de filmes, além de visitas guiadas, estão entre os atrativos.   “É o momento de mostrar que as práticas museológicas não se limitam a quatro paredes. É quando os museus ganham as cidades e ficam mais próximos dos seus públicos”, enfatiza o secretário estadual de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo. A semana pode ser vista também como uma chance de aumentar a visibilidade destes espaços entre os moradores da cidade. Apesar de haver um crescimento no número de visitantes, a quantidade ainda é relativamente baixa. Os principais espaços têm recebido, em média, cerca de 10 mil adultos e crianças por mês, o que representa aproximadamente 0,4% da população belo-horizontina.    Acervos pessoais Entre as opções fora do circuito tradicional está o Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos. Situado no Aglomerado Santa Lúcia, traz em seu acervo objetos, fotos e documentos que retratam as histórias dos moradores do lugar.    Desde a sua inauguração em 2012, é gerido pela ONG da Igreja Nossa Senhora do Morro e conta com a ajuda de museólogos voluntários para guiar as visitas e direcionar as exposições. “Os objetos não estão no museu pelo seu valor material, mas pelo valor por trás de cada história que carregam. Como diz o padre Mauro, um dos idealizadores do projeto, ‘existe um patrimônio favelado a ser preservado. Se nenhuma instituição pública se interessou por isso, é a própria comunidade que assume esse papel de reportar os seus 80 anos de história”, destaca o museólogo Augusto de Paula, coordenador do Muquifu, para quem o mais importante é o reconhecimento da iniciativa pelos moradores, que se identificam com o acervo transformado em memória. Em 2014, o Muquifu fez sua primeira exposição itinerante fora do país, levando fotos de moradores e algumas peças do seu acervo à cidade de Pádua, na Itália.   Do outro lado da cidade, na região da Pampulha, está o Museu da Inquisição fundado pelo engenheiro industrial aposentado Marcelo Miranda Guimarães, que reuniu durante 25 anos um acervo de mais 430 livros, alguns datados de 1637, e documentos originais anteriores a essa data, sobre a inquisição e os impactos da prática em solo mineiro.   A pesquisa motivada pela busca de suas próprias raízes se transformou em um rico material sobre a história do período de perseguição religiosa e, desde 2012, está disponível ao público. “A inquisição marca um duro período de intolerância religiosa e a proposta do museu é a de mostrar esse árduo caminho à liberdade de crença e o de defender a ideia de que cada um tem o direito de crer naquilo que quiser”, afirma o idealizador. O Museu da Inquisição é administrado pela Associação Brasileira dos Descendentes Judeus da Inquisição.   Confira o endereço e horário de funcionamento de outros museus da cidade  Museu Brasileiro do Futebol (av. Coronel Oscar Paschoal, s/nº, Portão G2, Pampulha, 3499-4312). 3ª à 6ª, das 9h às 17h, com permanência até 18h. Sáb. e dom., das 9h às 13h, com permanência até 14h. R$ 8 (Museu)e R$ 14 (Museus+Estádio).   Museu de Cinências Morfológicas da UFMG (av. Antônio Carlos, 6.627, bl. N2 - Instituto de Ciências Biológicas, Campus UFMG Pampulha, 3409-2776). 3ª a 6°, das 8h às 17h (intervalo de 12h a 13h30). R$ 5 (preço único).   Museu de Ciências Naturais da PUC Minas (av. Dom José Gaspar, 290, Coração Eucarístico, 3319-4152). de 3ª a sáb., das 9h às 17h. 5ª, das 9h às 21h. R$ 5 (preço único). Crianças até 5 anos e alunos PUC MINAS não pagam.   Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (r. Gustavo da Silveira, 1.035, Santa Inês, 3409-7650). 3ª a 6ª, das 9h às 16h. Sáb., e dom., das 10h às 17h. R$ 4 (preço único).   Centro de Arte Popular da Cemig (r. Gonçalves Dias, 1.608, Funcionários, 3222-3231). 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h. 5ª, das 12h às 21h. Sáb., e dom., das 12h às 19h. Gratuito.   Memorial Minas Gerais Vale (Praça da Liberdade, s/n˚, Esquina com Rua Gonçalves Dias, 3308-4000). 3ª, 4ª, 6ª e sáb., das 10h às 17h30, com permanência até 18h. 5ª, das 10h às 21h30, com permanência até 22h. Dom., das 10h às 15h30, com permanência até 16h. Gratuito.   MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal (Praça da Liberdade, s/n˚, Funcionários, 3516-7200). 3ª a dom., das 12 às 18 horas (última terça do mês, das 12h às 17h). 5°, das 12 às 22 horas. Gratuito   Museu da Escola de Minas (av, Amazonas, 5.855, Bloco B, Gameleira, 3379-8289). 2° a 6ª, das 8h às 17h. Gratuito   Museu de Arte da Pampulha (av. Dr. Otacílio Negrão Lima, 16.585, Pampulha, 32777955). 3ª a dom., das 9 às 18h30. Gratuito.   Museu de Artes e Ofícios (Praça Rui Barbosa, 600, centro, 3248 8600). 3° e 6°, das 12h às 19h. 4° e 5º, das 12h às 21hs – sendo de 17h às 21h, com entrada gratuita. Sáb., dom. e feriado, das 11h às 17h – sendo sáb. com entrada gratuita. R$ 5 (inteira).Professores e estudantes tem entrada gratuita.   Museu da Inquisição (r. Cândido Naves, 55, Ouro Preto, 2512-5194). 3ª a 6ª, das 9h às 16h. Dom., das 10h as 16h. R$ 8 (inteira).   Museu dos Brinquedos (av. Afonso Pena, 2.564, Funcionários, 3261.3992). 2ª a 6ª, das 9h às 17h. Sáb. e feriados, das 10h às 17h. R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).   Museu Histórico Abílio Barreto (av. Prudente de Morais, 202,Cidade Jardim, 3342-1268). 3ª, 6ª, sáb. e dom., das 10h às 17h. 4ª e 5ª, das 10h às 21h. Gratuito.   Museu Mineiro (av. João Pinheiro, 342, Funcionários, 3269-1109). 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h. 5ª, das 12h às 21h. Sáb. e dom., das 12h às 19h. Gratuito.   Museu do Giramundo (r. Varignha, 235, Floresta, 3446-0686). 2ª a 6°, somente com horário marcado. R$10 (inteira).   Museu Inimá de Paula (r. da Bahia, 1.201, centro, 3213-4320). 3ª, 4ª, 6ª e sáb., 10h às 18h30. 5ª, das 12h às 20h30. Dom., das 12h às 18h30. Gratuito.   Museu da Força Expedicionária Brasileira (av. Francisco Sales, 99, Floresta, 3224-9891). 2ª a 6ª, das 13h às 17. Sáb e dom., das 10h às 13h. R$ 4 (inteira). Este mês, o museu está funcionando no Boulevard Shopping.   Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (r. Santo Antônio do Montes, 708, Vila Estrela, 3296-6690). 3ª, 4ª e 5ª, das 15h a às 17h. Gratuito.  

 

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