Dilma defende partilha atual

Em inauguração, presidente afirma que modelos de exploração e de partilha “têm de ser mantidos”

iG Minas Gerais |

Inauguração. 

A presidente Dilma participou do lançamento do navio petroleiro André Rebouças
Roberto Stuckert Filho/PR
Inauguração. A presidente Dilma participou do lançamento do navio petroleiro André Rebouças

Ipojuca. A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta que não haverá mudanças na política de exigência de conteúdo nacional e no atual modelo de concessão para exploração de petróleo em áreas de alto risco e regime de partilha nos campos.

“Os dois modelos que vigem no Brasil, do ponto de vista do governo, têm de ser mantidos”, disse Dilma durante cerimônia para inauguração de um navio no estaleiro Atlântico Sul (EAS), a 55 km do Recife.

Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, havia anunciado que estudava uma flexibilização das exigências de conteúdo nacional na fase de produção dos projetos de petróleo no Brasil. Atualmente, as empresas, ao adquirirem área em leilão, comprometem-se com percentuais mínimos de contratação na indústria nacional.

A diretora geral da ANP, Magda Chambriard, também havia afirmado que alguma novidade seria implementada já no leilão de áreas de exploração e produção de petróleo que serão oferecidas em outubro.

Atualmente, é obrigatório que a Petrobras participe como operadora e investidora de todos os blocos do pré-sal concedidos sob o modelo de partilha.

No discurso desta quinta, Dilma fez uma das mais fortes defesas da Petrobras desde que a estatal passou a ser investigada pela operação Lava Jato. “A Petrobras merece, e a sociedade brasileira exige, temos de enfrentar e acabar com todos os malfeitos, todas as tentativas de uso indevido da empresa, todos os processos de corrupção”, afirmou.

A presidente defendeu a adoção de uma política de conteúdo local como forma de evitar a chamada “maldição do petróleo”, quando a riqueza gerada pela indústria petrolífera resulta enriquecimento de um setor da sociedade e empobrecimento do resto do país.

“Se essa demanda (para construção de navios) não for atendida por trabalhadores brasileiros, por empresas instaladas aqui neste país, (...) se isso não ocorrer, nós estaremos ameaçando o Brasil com uma coisa que no mundo se chamou de a maldição do petróleo”, disse.

Sem citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma afirmou que o governo do tucano provocou um “desmantelo” da indústria da construção naval no país e ressaltou os investimentos feitos desde o governo Lula. “Era uma realidade terrível. O Brasil tinha sido nos anos 80 o segundo maior produtor na área de indústria naval, e esse foi um processo que foi desmantelado”, disse ela.

Contratação

Promessa. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sinalizou que a Petrobras vai contratar mais navios petroleiros. Até hoje, 49 navios foram encomendados, em duas fases do programa.

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