Com permissão para se imortalizar

Primeira incursão do agente inglês nos cinemas, “007 Contra o Satânico Dr. No” traz origens de uma fórmula

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Performance de Connery é referência para todos os atores que viveram 007
Sony
Performance de Connery é referência para todos os atores que viveram 007

Numa época em que o cinema norte-americano se tornou sinônimo de franquias, a marca 007 é realmente um dos nomes mais fortes e um marco na história do cinema. Nenhuma outra série conseguiu se manter tão relevante, e tão fiel ao seu estilo original, por tanto tempo. Mesmo “Skyfall”, em que o diretor Sam Mendes revitalizou a franquia, apenas provou que nada se cria, mas tudo deve se transformar – evoluir.

E a origem de todos os elementos que caracterizam James Bond no cinema está em “007 Contra o Satânico Dr. No”, primeira incursão do espião inglês nos cinemas que o Clássicos Cinemark exibe neste fim de semana. A obra dirigida por Terence Young e estrelada por Sean Connery em 1962 acompanha Bond na investigação do desaparecimento de um colega e – como não podia faltar, em se tratando dos anos 1960 – uma ameaça ao programa espacial norte-americano.

Connery definiu a elegância, a masculinidade e o humor afiado que guiariam a performance de todos os seus substitutos. O terno e o martini, “mexido, não batido”, nasceram aqui. Ursula Andress entrou para a história do cinema e criou o perfil objetificado e sensual das bond girls com o plano em que sai do mar num belo biquini branco – imagem homenageada com Halle Berry em “Um Novo Dia para Morrer”.

E Joseph Wiseman deu início à longa tradição de vilões megalômanos que explicam seus planos de dominação mundial enquanto Bond se prepara para virar a mesa e salvar o dia. O covil de seu Dr. No é a origem de outro traço marcante da série – o belo design de produção, com cenários mirabolantes, refletindo o tom fantástico das tramas.

“007 Contra o Satânico Dr. No” foi escolhido pelo produtor Alberto Broccoli para lançar Bond nos cinemas devido ao caráter mais linear e pontual da história. Curiosamente, no entanto, reza a lenda que o escritor Ian Fleming, criador do personagem, assistiu ao filme e o achou “horroroso”. É fato que o próprio Young faria outro capítulo melhor da série em “Moscou contra 007”. Mas o primeiro a gente nunca esquece – e merece um lugar especial no cânone do cinema.

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