Uma companhia que nasceu quase sem querer

iG Minas Gerais | RAFAEL ROCHA |

Sucesso. Cena de “Gonzagão – A Lenda”, que retorna à capital
sarau agência/divulgação
Sucesso. Cena de “Gonzagão – A Lenda”, que retorna à capital

A rotina de trabalho de João Falcão e seus atores anda um tanto atribulada. Mas eles não reclamam. Há quase três anos eles estrearam a peça “Gonzagão – A Lenda”, que aproveita o ensejo para ser apresentada novamente em Belo Horizonte, também no Sesc Palladium, amanhã e domingo.

Os espetáculos podem ser considerados capítulos de uma história que vem sendo contada com competência pelo diretor pernambucano. A turma de atores não se conhecia. Tiveram o primeiro contato durante os testes de “Gonzagão”. Desde então, Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Thomás Aquino, Renato Luciano e Ricca Barros mantêm uma sintonia que é notória no palco. “Nunca imaginei que reunir esse pessoal fosse dar tão certo. Costumo brincar com eles que gostei disso, de juntar uma galera”, comenta. Com a estreia de “Ópera do Malandro” em 2014, a companhia Barca dos Corações Partidos vem apresentando os dois espetáculos simultaneamente. “É cansativo, mas eles são jovens e aguentam”, brinca João.

Em meio a tantos rapazes, a encenação de “Gonzagão” trouxe uma demanda feminina. Como o texto do musical optou por incluir uma mulher que se faz de homem para entrar numa companhia de teatro, a necessidade de João de ir atrás de uma atriz desconhecida veio à tona. Foi assim que surgiu Larissa Luz, uma cantora descoberta pelo diretor. “Ela nunca tinha feito nada como atriz, mas eu olhei uns vídeos dela e sabia que ia dar certo”, comenta o diretor.

Ele tinha razão. Deu tão certo que Larissa continua sua trajetória nos palcos, desta vez incorporando João Alegre, espécie de narrador que conduz a história contada em “Ópera do Malandro”. “Quando fui convidada, eu nem sabia que aquele diretor era o mesmo cara de trabalhos que eu admirava”, relembra Larissa, que não abandonou a carreira de cantora e pretende lançar novo disco em agosto.

Resgate cultural. O diretor comemora o fato de estar conseguindo participar de montagens sobre autores os quais não somente admira, mas fazem parte de sua vida. Com sua pesquisa sobre musicais, ele destaca a importância do resgate do nome de Gonzagão para gerações atuais, que não tiveram tanto contato com sua obra. “Ele influenciou grandes artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. A música popular brasileira não seria a mesma sem ele”, diz.

Elogios na mesma medida são enviados a Chico Buarque, o autor do texto que João encena agora. “Escuto suas músicas desde pequeno. Sem dúvida, ele foi o artista que mais influenciou o meu trabalho e a minha vida”.

Chico, inclusive, deu toda a liberdade necessária ao diretor. Nada mais natural, já que o artista também se inspirou em outros autores para escrever o clássico. As obras “Ópera dos Mendigos” (1728), do inglês John Gay, e “Ópera dos Três Vinténs” (1928), dos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill, foram os trabalhos referenciais ao compositor. “Ele foi ver a peça e até se surpreendeu positivamente com algumas músicas que não estavam no original e eu acabei incluindo”, diz João, que deixou de fora as canções “Hino da Repressão”, “Desafio do Malandro” e “Rio 42”.

Sua próxima empreitada segue essa toada e mira os escritos de Ariano Suassuna. A montagem, no entanto, ainda não tem previsão de chegar aos palcos.

Agenda

O quê. Espetáculo “Gonzagão – A Lenda”

Quando. Amanhã, às 17h, e domingo, às 16h

Onde. Grande Teatro Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)

Quanto. De R$ 40 a R$ 60

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