Falta de estrutura coloca vida de pacientes em risco

Funcionários fizeram declarações assustadoras sobre a situação da saúde; na UBS do Icaivera, um paciente com parada cardíaca foi atendido no chão pois não havia maca

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Funcionária da UBS Parque do Cedro disse que um paciente com parada cardíaca teve que ser atendido no chão, por falta de maca
Foto cedida por servidor do icaivera
Funcionária da UBS Parque do Cedro disse que um paciente com parada cardíaca teve que ser atendido no chão, por falta de maca

A falta de estrutura adequada de trabalho na rede municipal de saúde está tão grave, que está colocando em risco a vida dos próprios pacientes. A prova disso pode ser constatada em uma série de denuncias feitas pelos servidores da saúde ao Ministério Público, na quarta (13).

Um das denúncias mais chocante aconteceu na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parque do Cedro, na região do Icaivera. Segundo uma funcionária, que terá o nome preservado para evitar perseguição, há duas semanas a equipe da unidade teve que atender um paciente que estava sofrendo um infarto no chão, porque não havia maca. “Uma Agente Comunitária de Saúde (ACS) teve que ajudar a fazer massagem cardíaca nele, porque uma técnica tinha que ajudar o médico, uma tinha que preparar o remédio e outra administrar. Isso tudo devido à falta de funcionários”.

Ainda conforme ela, na unidade não há sala para fazer curativos. “Temos que ficar em pé e lavamos nosso material em um tanque que os funcionários da higienização também lavam pano de chão. Não temos outro lugar para fazer isso. Nossa realidade é de sofrimento, sem condição nenhuma de trabalho”.

Outro caso chocante teria ocorrido na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Homero Gil. Segundo uma funcionária da unidade, que também terá o nome preservado, um criança teria quase morrido por causa da falta de material de atendimento de emergência na unidade. “Não temos material para fazer atendimento de emergência. Teve um dia que uma criança sofreu uma parada cardíaca. Ela estava cheia de secreção na boca. Como não havia aspirador, a médica teve que colocar a sua boca na da criança para sugar a secreção da boca dela, senão, ela morreria”, afirmou.

Ainda conforme ela, o atendimento na UBS está caótico. “Apesar de o posto ter sido construído para atender dez mil pacientes, hoje são assistidos mais de 80 mil. Não conseguimos atender tanta gente com uma infraestrutura tão precária. Falta tudo na unidade”.

Já outra trabalhadora, da Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Guanabara, afirmou que a falta de equipamentos e medicamentos na unidade também colocou a vida de pacientes em risco. “Na semana passada, uma criança com menos de um ano estava passando mal, precisando tomar o medicamento, e não tinha seringa, agulha e jelco (essencial para administrar medicamento venoso em crianças) para atendê-la. A gerente teve que percorrer toda a rede e, felizmente, conseguiu dois jelcos. O pai da criança estava tão desesperado que começou a quebrar a unidade”.

Versão

A assessoria da Secretaria de Saúde afirmou que “não há falta de macas na UBS do Parque do Cedro”. “O paciente chegou à unidade levado por uma pessoa que o encontrou desmaiado na rua, com parada cardíaca, praticamente sem sinais vitais. O médico foi ao encontro do paciente e, devido à gravidade e urgência no atendimento, realizou os primeiros procedimentos no chão. O usuário foi atendido e entubado, na UBS, enquanto aguardava o Samu para transferi-lo para o Hospital Regional”. Já sobre a criança atendida na UBS Homero Gil, a secretaria disse que irá apurar o caso.

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