Campeão dos 100 m no Troféu Brasil bate recorde e critica estrutura

Vitor Hugo dos Santos acusou as autoridades de estarem tentando destruir os sonhos das crianças

iG Minas Gerais | folhapress |

A final dos 100 m masculino do Troféu Brasil de Atletismo, nesta quinta-feira (14), em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), reservou uma surpresa para o público e para o próprio vencedor. O carioca Vitor Hugo dos Santos, 19, disputou a primeira vez a decisão da distância e sagrou-se campeão. Ele registrou o tempo de 10s22, que é recorde sul-americano juvenil. Bruno Lins ficou em segundo, com 10s32, e Jorge Vides em terceiro, com 10s38. Já nas eliminatórias da prova, pela manhã, Vitor Hugo havia mostrado a que veio com a marca de 10s26, que também equivalia ao recorde juvenil. A ascensão meteórica em uma distância na qual qualquer centésimo baixado é comemorado lhe permite sonhar com mais feitos. "Penso em quebrar o recorde sul-americano adulto [10s, que pertence a Robson Caetano desde 1988] um dia. Talvez no Pan de Toronto ou no Mundial de Pequim, quem sabe?", disse o velocista. Ex-aspirante a jogador de futebol, Vitor Hugo entrou para o atletismo quando tinha 10 anos, ainda na escola. Embora não gostasse da atividade, cedeu à insistência de um tio, que era ex-atleta, e o forçou a se manter nas pistas. "Meu tio Marcelo foi quem me manteve no atletismo. Ele é meu ídolo. Acredito que posso melhorar muito no futuro." Vitor Hugo é natural do Rio e não troca a cidade por nada, até por causa dos Jogos de 2016. Depois de passar um período de um mês para treinos nos EUA e ter a chance de permanecer na América do Norte, optou por voltar à capital fluminense. "Aprendi muito quando estive nos EUA, mas quis voltar para o Rio." Ele, porém, não esconde sua frustração com o fechamento de praças esportivas por lá. Exemplo: o estádio Celio de Barros, tradicional polo do atletismo brasileiro, foi desmontado por causa da Copa do Mundo de 2014 e não foi reformado. Vitor Hugo treina próximo à região de Curicica, bairro na Zona Oeste do Rio. "As autoridades estão tentando destruir sonhos das crianças. Minha estrutura é ruim, a pista tem mato, e tudo mais, mas não vai ser uma pista ruim que vai fazer eu parar de sonhar."