Lula encontra com Renan para discutir crise entre Congresso e Planalto

O Senado começa a analisar na semana que vem as duas medidas provisórias do ajuste fiscal, editadas pelo governo

iG Minas Gerais | Folhapress |

Lula reclama de vazamentos seletivos na Operação Lava Jato
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Em meio à crise política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu um encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Lula e Renan vão almoçar na residência oficial do Senado nesta quinta (14) para discutir a articulação política do governo e temas sensíveis ao Planalto no Legislativo -como as medidas provisórias do ajuste fiscal.

Lula vem atuando como "bombeiro" do Planalto nos últimos meses, desde que Dilma começou a enfrentar dificuldades em sua relação com os presidentes do Senado e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ex-presidente tem bom trânsito com Renan e a cúpula do PMDB, numa ação vista por aliados do presidente do Senado como estratégica para o Planalto.

Renan vem fazendo sucessivos ataques à presidente Dilma Rouseff e à sua articulação política desde que seu nome entrou na lista dos políticos investigados pela Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobras. O peemedebista vem mobilizando aliados para impor derrotas a Dilma no Congresso em temas como o ajuste fiscal, o projeto que regulamenta a terceirização, além da indicação do advogado Luiz Edson Fachin para o STF (Supremo Tribunal Federal).

O Senado começa a analisar na semana que vem as duas medidas provisórias do ajuste fiscal, editadas pelo governo. Renan afirmou em sucessivas ocasiões que as MPs penalizam os trabalhadores sem que o governo promova um verdadeiro ajuste -que deveria incluir a diminuição de ministérios e o enxugamento da máquina pública. É um claro sinal da disposição do peemedebista de trabalhar pelas suas derrubadas no Senado.

A disposição do presidente do Senado é manter a decisão da Câmara, tomada na noite desta quarta (13), de aprovar emenda que cria uma alternativa ao fator previdenciário. O governo é contrário à mudança, mas como a medida agrada aos trabalhadores, vários deputados petistas votaram contra o Planalto. No Senado, Walter Pinheiro (PT-BA) e Paulo Paim (PT-RS) já anunciaram que votarão em favor da derrubada do fator.

Outro tema sensível ao governo é a indicação de Fachin para o Supremo. Renan trabalha nos bastidores para derrubar a indicação do advogado como forma de demonstrar a Dilma sua força no Senado. Como a votação será secreta, a chance de o governo identificar "defecções" é menor, o que tem motivado a ação do peemedebista.

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