Mobília do coração

Peças restauradas viram protagonistas por resgatarem histórias e memórias de família

iG Minas Gerais | Ana Paula Braga |

Os arquitetos Carlos Vilaça, Eliana Sampaio e Marcos Müller assinam o projeto onde a sugestão é abusar das obras de arte e dos elementos de época
Divulgação
Os arquitetos Carlos Vilaça, Eliana Sampaio e Marcos Müller assinam o projeto onde a sugestão é abusar das obras de arte e dos elementos de época
Uma decoração que se impõe como lugar de passado-presente-futuro dentro de espaços que abrigam, como protagonista, uma mobília restaurada com muito charme e originalidade. Trazer de volta à vida peças que carregam uma boa dose de memórias e histórias é uma proposta que vai bem em qualquer ambiente da casa. Diversos profissionais do décor, inclusive, têm apostado em seus projetos na presença de belas peças restauradas e releituras clássicas que preservam a essência de uma determinada época e também as vivências da família.    A designer de interiores Laura Santos afirma que já recorreu, por diversas vezes, a esse tipo de mobília na concepção de seus projetos de ambientes e recebe clientes interessados em dar a seus móveis antigos um novo fôlego e um aspecto mais pessoal. “A mobília restaurada normalmente vem de uma herança familiar, um processo que envolve sentimentos e emoções. Ao fazer um estudo do décor, busco sempre levar isso em consideração, o que proporciona uma enorme felicidade ao morador, além de ser uma forma de respeito com sua história de vida”, ressalta.    Para a arquiteta Mariana Aguiar, o efeito de túnel do tempo pode surpreender qualquer um com peças antigas e bem marcantes, que convivem pacificamente com itens modernos, destacando as características de cada um. “As pessoas hoje querem algo com mais personalidade, história e desenho próprio. Buscam também recordações dos avós, de parentes queridos e da própria infância”, pontua a especialista.    Não é a toa que uma mobília restaurada já chama atenção por si só. Ela é imponente, marcante e possui um grande apelo visual. “Se existe um valor sentimental com a mobília, vale a pena restaurar ou reformar. Quando falamos em restauro, devemos salientar que esse processo mantém as características originais da peça, por isso, as técnicas são, na verdade, para revitalizar a peça”, esclarece a arquiteta Adriana Morávia.   Alguns móveis herdados, por exemplo, chegam a dispensar qualquer tipo de intervenção pelo simples fato de serem belos ou feitos de um material de alta qualidade. “Existem muitos móveis de madeira maciça, nobre e de lei que possuem características muito fortes da época como o barroco, por exemplo, e isso merece ser valorizado na decoração. O que é mais comum de se fazer nesse tipo de mobiliário é o laqueamento, uma espécie de pintura automotiva que pode ser feita na madeira e que é modificada apenas pela cor. Dessa forma, é possível manter as características do móvel original, dando a ele apenas um toque contemporâneo por meio de cores mais vibrantes, com brilho ou fosco e até com efeito envelhecido”, explica a designer Laura Santos. Tecidos novos e coloridos, além da técnica patchwork também são capazes de transformar e dar vida nova a móveis antigos e que antes pareciam sem graça.    Atitude Em tempos onde a sustentabilidade é uma questão de necessidade e não de opção, a restauração de peças antigas casa perfeitamente com a ideia de reaproveitamento. Mais do que o vínculo afetivo que se estabelece com o móvel, a revitalização colabora com o meio ambiente e, ao mesmo tempo, ajuda a reduzir a extração dos recursos naturais, favorecendo a sustentabilidade também dentro de casa. “Quando você reforma os móveis que já tem não há necessidade de comprar outros, portanto, não contribui com a derrubada de mais árvores para a exploração da madeira. Além disso, os móveis antigos têm características incríveis, como seu design de época e o resgate de memórias”, ressalta a arquiteta Mariana Aguiar. 

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