Dólar fecha em queda com trégua em rendimento dos títulos americanos

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,50% sobre o real, cotado em R$ 3,024 na venda

iG Minas Gerais | Folhapress |

Para o alto.
 Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940
Marcos Santos/USP Imagens
Para o alto. Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940

Em ajuste à forte valorização de mais de 1% registrada na véspera, o dólar fechou em queda nesta terça-feira (12). O movimento foi possível pela trégua no avanço dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos, cuja escalada nas últimas semanas alimentou expectativas de menor fluxo de entrada de moeda americana nos mercados emergentes.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,50% sobre o real, cotado em R$ 3,024 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, caiu 1,14%, para R$ 3,017. Assim como o real, a maioria das divisas internacionais se fortaleceu ante a moeda americana nesta terça.

Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, 20 se valorizaram sobre o dólar, puxadas pelo rublo russo (+2,76%) e pela lira turca (+1,05%). O real teve a sétima maior alta. Já entre as dez divisas mais fortes do globo, apenas a coroa sueca perdeu (-0,18%) frente ao dólar.

"O pregão começou com o mercado bastante estressado em relação ao desempenho dos 'bonds' [títulos de dívida], mas esse clima de cautela foi dissipando ao longo do dia, conforme as principais divisas globais ganhavam força sobre o dólar americano", disse Paulo Petrassi, sócio gestor da Leme Investimentos.

"Há um fluxo de entrada [de dólares] ainda forte no Brasil. Os estrangeiros estão enxergando oportunidades tanto na Bolsa brasileira quanto na renda fixa, especialmente com o recente aumento da taxa básica de juros e expectativa de novas elevações", afirmou Petrassi. "Essa entrada da divisa americana no país aumenta a oferta da moeda, o que tem segurado a cotação do dólar."

Os indicadores americanos, contudo, devem continuar sendo monitorados de perto. "Se sair algum dado muito forte da economia dos EUA, o dólar deve voltar a subir, já que a expectativa por um aumento nos juros daquele país devem ganhar força", completou o gestor.

Uma alta do juro americano deixaria os títulos do Tesouro dos EUA -que são remunerados por essa taxa e considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em mercados emergentes, provocando uma saída de recursos dessas economias. A menor oferta de dólares tenderia a pressionar a cotação da moeda americana para cima.

Operadores também afirmaram que deve seguir pressionando o mercado de câmbio o clima de cautela em relação à crise grega. A avaliação é que, mesmo tendo pago ao FMI (Fundo Monetário Internacional) na véspera a parcela de 750 milhões de euros -parte do socorro financeiro ao país-, ainda está longe um acordo entre os ministro de Finanças da zona do euro e o governo grego.

Internamente, o mercado segue de olho no andamento do ajuste fiscal e nas atuações do Banco Central no câmbio.

Nesta terça (12), a autoridade monetária brasileira rolou para 2016 os vencimentos de 8,1 mil contratos que estavam previstos para o início de junho, em um leilão que movimentou US$ 395,2 milhões. A operação é equivalente à venda futura de dólares.

Se mantiver esse ritmo até o final de maio, o BC rolará apenas 80% do lote total de contratos de swap com vencimento no início do próximo mês, que corresponde a US$ 9,656 bilhões.

BOLSA

No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou esta terça-feira em queda de 0,71%, para 56.792 pontos. O volume financeiro foi de R$ 6,484 bilhões. O índice também acompanhou os principais mercados internacionais, que encerraram a sessão no vermelho.

"A Bolsa subiu bastante no último mês [+9,93%] e na semana passada [+1,64%]. Ontem [segunda], não fosse o corte de juros na China, que impulsionou as ações da Vale e das siderúrgicas, o mercado já teria realizado [lucros]. Hoje [terça], na ausência de indicadores de peso, a realização foi inevitável", diz Rogério Oliveira, especialista em Bolsa da corretora Icap.

A perda do Ibovespa só não foi maior por causa da valorização de 0,51% dos papéis preferenciais da Petrobras, mais negociados e sem direito a voto, para R$ 13,79 cada um. Eles chegaram a subir mais de 1% ao longo do pregão, com a notícia de que a estatal está preparando uma oferta de títulos da dívida no mercado doméstico do Brasil que poderia ser finalizada já na próxima semana, segundo fontes ouvidas pela Reuters com conhecimento direto da situação.

"A estatal vai publicar seu balanço na sexta-feira. O mercado pode estar avaliando a divulgação como algo positivo, já que a companhia sofreu uma queda de credibilidade com a operação Lava Jato da Polícia Federal. Essa captação, se confirmada, pode também ser benéfica à empresa. Além disso, o preço do barril de petróleo subiu nesta terça, o que ajudou a sustentar o ganho da Petrobras na Bolsa", afirmou Oliveira.

Quem liderou a ponta positiva do índice foi a ação da companhia do setor de educação Kroton, com avanço de 8,56%, para R$ 11,67. A empresa reportou que seu lucro ajustado subiu 56,9% no primeiro trimestre, com o controle mais rígido de custos e despesas compensando as mudanças no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

Em sentido oposto, a ação preferencial da Vale fechou em queda de 2,78%, para R$ 18,52, devolvendo a forte valorização de 2,92% registrada na véspera, quando os investidores repercutiram um novo corte nos juros chineses para estimular aquela economia. A China é o principal destino das exportações da mineradora brasileira.

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