Retratos do Brasil no “Pior Cenário Possível” Na voz de Jimmy London, banda paulista canta mazelas do país em som mais pesado Matanza

Na voz de Jimmy London, banda paulista canta mazelas do país em som mais pesado

iG Minas Gerais |

Pesado. Banda inovou ao usar uma guitarra a mais e gravou todos os instrumentos simultaneamente
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Pesado. Banda inovou ao usar uma guitarra a mais e gravou todos os instrumentos simultaneamente

SÃO PAULO. Jimmy London é um cara durão. O carioca chamado de “gigante irlandês”, apelido que ganhou em meados do ano 2000 no programa “Rock Gol”, da MTV, não muda o estilo imponente de expor as ideias. Habituado a falar sobre álcool, diversão e mulheres em suas letras, o vocalista da banda Matanza, desta vez, resolveu externar o atual cenário do Brasil nas composições de “Pior Cenário Possível” (Deck Disc), novo disco, o oitavo da banda. “Criamos o conceito de cada álbum do Matanza antes mesmo de escrever a primeira música. Agora, entretanto, seria necessário viver em Marte para falar sobre bagunça boa, tiro para o alto e diversão. Quem sabe no próximo trabalho vamos estar de melhor humor”, afirma o músico. 

O quinteto, que fez show de lançamento do novo disco no último sábado, dia 9, na capital paulista, gravou todos os instrumentos musicais do CD de maneira simultânea. Além disso, pela primeira vez nos dez anos de carreira, um álbum da banda foi gravado com duas guitarras, o que deixou a sonoridade mais pesada dentro do estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, onde os músicos Jimmy London (vocal), Marco Donida (guitarra), Dony Escobar (baixo) Jonas Cáffaro (bateria) e Maurício Nogueira (guitarra), se reuniram. “É mais um instrumento, ou seja, mais 20% de capacidade de arranjo, de barulho, de pressão. Tivemos um processo semelhante de gravação ao dos outros discos. Procuramos manter o som orgânico, fazendo a bateria soar como se estivesse ali do seu lado, e assim por diante. Porém, a cada trabalho, vamos aprimorando esse processo. Neste momento, usamos a máquina de fita para esquentar o som, mas sem arquivar o áudio nela. Afinal, que graça teria se fosse sempre tudo igual”, afirma Jimmy.

As letras de “Pior Cenário Possível” têm altos teores de terror e suspense. Bons exemplos disso são as faixas “A Sua Assinatura”, “Matadouro 18”, “O Que Está Feito Está Feito”, “Orgulho e Cinismo” e “Sob a Mira”.

“Se tudo estivesse legal, o disco se chamaria ‘O Melhor Cenário Possível’, mas não é o caso. O atual trata, infelizmente, de coisas não tão divertidas quanto nossos primeiros álbuns. Não prometemos mais do que o nosso máximo: suar sangue”, garante o líder do Matanza. Esse clima também está evidenciado em músicas como “O Pessimista” e “Chance Pro Azar”.

Rock nacional. Há dois anos à frente do Matanza Fest, festival que trouxe a banda Biohazard ao Brasil em dezembro, Jimmy desacredita na tese de que o gênero anda em baixa no mercado.

“Cada dia nasce uma banda, cada dia uma pessoa resolve trabalhar mais, cada dia alguém decide abrir um novo bar com um pequeno palco, que pode acabar virando uma grande casa de shows. Ou seja, é um movimento dinâmico, não uma foto. Temos bandas em todos os lugares. A música não morre, muito menos o rock. Não pode faltar trabalho e suor. Como sempre dizia meu velho pai: iniciativa é fácil, complicado é ter ‘acabativa’. As bandas que correm atrás, dia após dia, sempre chegam a algum lugar. Aquelas que esperam o estrelato bater à porta, ficam esperando eternamente”, conclui Jimmy London.

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