As nervuras mineiras expostas por olhares estrangeiros

Cleverson Luiz Salvaro e Daniella Domingues abrem exposições no Memorial Minas Gerais Vale

iG Minas Gerais | RAFAEL ROCHA |

Vazio. 
Alguns estacionamentos eram vilas antigamente, diz artista
daniella domingues/reprodução
Vazio. Alguns estacionamentos eram vilas antigamente, diz artista

Eles não nasceram por aqui, mas já entendem as nervuras expostas do caos urbano onde decidiram morar. O curitibano Cleverson Luiz Salvaro e a paulistana Daniella Domingues inauguram nesta quarta suas instalações “Fachada” e “Célula/vaga”, respectivamente, no Memorial Minas Gerais Vale. Sob curadoria de Eduardo de Jesus, seus trabalhos tentam refletir sobre que local é esse em que vivemos.

Chega a ser curioso que alguém nascido na principal capital do país, onde o trânsito beira o impraticável, esteja incomodada com o fluxo de veículos da capital mineira. É exatamente esse ir e vir neurótico que inspira o trabalho de Daniella. “Em São Paulo, eu sempre andei de metrô. Foi após me mudar para BH, em 2010, que comecei a reparar mais nessa questão da mobilidade”, comenta a artista sem habilitação para dirigir.

Ela dá sequência em sua pesquisa iniciada em 2013, quando mapeou os estacionamentos privados situados no centro da capital. Naquela fase, descobriu algo inusitado: um decreto municipal de 1975 proibiu carros de estacionarem em um quadrilátero do centro, algo ainda impensável para os dias atuais. A polêmica foi tanta que, no dia seguinte, 771 soldados foram enviados às ruas para fazer valer a lei. Agora, a instalação de Daniella, que tem ainda vídeo e desenhos, sugere uma saída – precária, ela admite – de como repensar a ocupação desse espaço um tanto quanto perdido. “Esses estacionamentos de hoje já foram vilas na década de 70”, contextualiza.

Igualmente acostumado a andar a pé por aí, Salvaro quer tensionar o chamado cubo branco – o espaço expositivo convencional e asséptico, segundo explica o curador Eduardo de Jesus. Ele começou cultivando musgos no Museu da Fotografia de Curitiba. Já em Belo Horizonte, instalou no Museu de Arte da Pampulha uma placa onde se lia a palavra “greve”. À época – era 2011 –, o espaço sofria com problemas na residência artística. Sua nova investida provoca novamente esse território. Munido de isopor, tinta e madeira, ele recria a fachada do próprio museu que recebe sua instalação no interior do imóvel. Inacabada, a obra será continuada em dias esparsos até agosto, quando se encerra.

Agenda

O quê. Exposições “Fachada” e “Célula/vaga”

Quando. Desta quarta a 2 de agosto; terça, quarta, sexta e sábado, das 10h às 17h30; quinta, das 10h às 21h30; domingo, das 10h às 15h30

Onde. Memorial Minas Gerais Vale (Praça da Liberdade, 640, Funcionários)

Quanto. Entrada gratuita

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave