Dólar tem dia de ajuste e fecha em queda após sequência de altas

Após quatro altas consecutivas, o dólar atravessou um dia de ajuste e fechou em baixa em relação ao real, mas se manteve na casa dos R$ 3

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Para o alto.
 Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940
Marcos Santos/USP Imagens
Para o alto. Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940

Após quatro altas consecutivas, o dólar atravessou nesta terça-feira (5) um dia de ajuste e fechou em baixa em relação ao real, mas se manteve na casa dos R$ 3. Dados econômicos piores que o esperado nos EUA contribuíram para a desvalorização da moeda americana.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,43%, para R$ 3,062 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, registrou queda de 0,38%, a R$ 3,070.

Segundo analistas, o resultado pior que o esperado da balança comercial americana voltou a alimentar a expectativa de que o aumento nos juros dos EUA pode demorar mais para acontecer, beneficiando principalmente o mercado de moedas emergentes.

Isso porque uma alta deixaria os títulos do Tesouro dos EUA -que são remunerados por essa taxa e considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em mercados emergentes, provocando uma saída de recursos dessas economias. A menor oferta de dólares tenderia a pressionar a cotação da moeda americana para cima.

Em março, a diferença entre importações e exportações nos EUA foi negativa em US$ 51,37 bilhões -o maior deficit desde outubro de 2008. "Isso deu força à desvalorização do dólar, que foi amenizada, no entanto, após um indicador do setor de serviços americano ter mostrado fortalecimento em março", diz Marcos Pessoa, economista da corretora Renascença.

A atuação do Banco Central no mercado continua no radar dos investidores. Na véspera, o BC diminuiu a rolagem de contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) que vinha fazendo, o que estimulou a alta da cotação do dólar. Agora, o BC vai rolar 8,1 mil contratos de swaps cambiais por dia, enquanto em abril a rolagem era de 10,6 mil contratos.

Na manhã desta terça (5), a autoridade monetária rolou para 2016 o vencimento de 8,1 mil contratos que venceriam no início de junho, em um leilão que movimentou US$ 393,3 milhões. Se mantiver esse ritmo até o final de maio, o BC rolará apenas 80% do lote total de contratos de swap com vencimento no início do próximo mês, que corresponde a US$ 9,656 bilhões.

QUEDA GENERALIZADA "O movimento do câmbio nesta sessão foi fortemente influenciado pela cena externa, onde o dólar perdeu valor sobre as principais divisas. O corte nos juros na Austrália [para 2% ao ano] pode ter dado força a isso, mas, no geral, a cotação da moeda americana se ajustou mundialmente após o fortalecimento recente", diz Ítalo Santos, especialista em câmbio da Icap do Brasil.

Entre as 24 principais moedas emergentes globais, o dólar caiu em relação a 20 nesta terça (5). O rublo russo foi o que mais ganhou (+3,26%), seguido pelo peso chileno (+0,87%) e o peso colombiano (+0,85%). O real teve a sexta maior alta sobre a divisa americana. Já entre as dez moedas mais fortes do mundo, todas tiveram valorização sobre o dólar americano, encabeçadas pelo dólar australiano (+1,26%).

Segundo Santos, houve um fluxo "intenso" de entrada de dólares no país pela manhã, motivado por operações pontuais, o que ajudou a manter o dólar em baixa. O especialista também citou que o mercado já precificou a rolagem menor de contratos de swap pelo BC brasileiro neste mês.

"Acho difícil o BC mudar o ritmo de rolagem ao longo de maio. Ele tem anunciado o ritmo no início de cada mês e mantido. Houve um fluxo mais forte de entrada de moeda americana no Brasil em abril e, portanto, a decisão da autoridade monetária de pisar no freio com as rolagens neste mês foi acertada, na minha opinião."

MERCADO DE AÇÕES Na Bolsa, o principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, subiu e atingiu seu maior nível desde 18 de setembro de 2014. O avanço foi de 1,22%, para 58.051 pontos. O índice começou o dia no vermelho, influenciado pelo tombo de mais de 1,5% das ações do Itaú Unibanco, mas inverteu a tendência puxado pelos papéis da Vale e de estatais.

Apesar de ter registrado no primeiro trimestre deste ano seu menor nível de calotes da história, o Itaú elevou as provisões para inadimplência e cortou estimativas sobre crédito para 2015. O lucro do banco, porém, cresceu 29,7% em 12 meses, para R$ 5,7 bilhões. Os papéis tiveram perda de 0,98%, para R$ 38,57 cada um.

Os papéis da mineradora Vale, assim como na véspera, continuaram a subir fortemente nesta terça. As ações preferenciais, sem direito a voto, ganharam 5,18%, para R$ 20,30 cada uma. Já as ordinárias, com direito a voto, subiram 9,20%, a R$ 27,06.

As estatais também deram força ao bom desempenho do Ibovespa. Entre as maiores altas, se destacou o avanço de 13,70% do papel preferencial da Eletrobras, para R$ 10,29, enquanto a ação preferencial da Petrobras registrou oscilação positiva de 4,20%, para R$ 14,38.

"O cenário externo está colaborando, pois as cotações das commodities metálicas estão se recuperando um pouco. Isso ajudou Petrobras e Vale", disse João Pedro Brügger, analista da Leme Investimentos. "O Levy [ministro da Fazenda] está todos os dias falando que os ajustes não vão parar por aqui, sinalizando que o governo deve continuar a tomar medidas que ajudarão a reconquistar a confiança do estrangeiro em relação ao Brasil", completou.

Em sentido oposto, as ações da Kroton (-4,50%) e da Estácio Participações (-2,51%) estiveram entre os principais destaques de queda do Ibovespa, após o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, indicar que o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) esgotou seus recursos para 2015.

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