Uma obra póstuma do mestre

Filme “Visita ou Memória e Confissões”, inédito do cineasta Manoel de Oliveira, é lançado na cidade do Porto

iG Minas Gerais |

Discreto. Falecido em 2 de abril. Manoel de Oliveira pediu que filme fosse exibido após sua morte
LEO FONTES / O TEMPO
Discreto. Falecido em 2 de abril. Manoel de Oliveira pediu que filme fosse exibido após sua morte

Porto, Portugal. A cidade do Porto, onde nasceu o recém-falecido cineasta Manoel de Oliveira, assistiu, ontem à noite, à pré-estreia de seu filme póstumo, “Visita ou Memória e Confissões”.

O lendário diretor, morto em abril aos 106 amos, tinha pedido que o filme, rodado em 1982 e entregue depois à Cinemateca portuguesa, só fosse exibido após a sua morte, exceto em poucas sessões privadas.

O longa-metragem autobiográfico seria exibido no teatro municipal Rivoli, na presença do prefeito do Porto, Rui Moreira, e de pessoas próximas do diretor.

Hoje haverá uma nova exibição do filme na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, antes de sua estreia internacional no Festival de Cannes, na seção Cannes Classics, em que são exibidos filmes restaurados e documentários sobre o cinema e seus protagonistas.

Segundo o diretor da Cinemateca, José Manuel Costa, a fita não aporta “nenhuma revelação chocante” sobre a vida do autor, mas se trata de “um retrato autêntico, sincero e direto do homem e de sua forma de pensar”, declarou.

Oliveira filmou “Visita ou Memória e Confissões”, quando tinha 73 anos. Segundo o jornal português “O Público” foi criado toda uma aura em torno do longa, “principalmente pelas poucas pessoas que tiveram a oportunidade de assistí-lo nas raríssimas vezes em que ele foi publicamente mostrado – como aconteceu na Cinemateca, em 1993, numa ocasião em que João Bénard da Costa convenceu o cineasta a exibir o filme numa sessão semi-privada, com uma assistência composta majoritariamente por convidados de Manoel de Oliveira”, segundo o periódico português.

De acordo com Luís Miguel Oliveira, que assina a matéria em “O Público”, o filme é uma obra-prima. “É melhor começar por dizer, para que não fiquem dúvidas, que se trata de uma obra maior, que não vai viver na obra de Oliveira nem como simples posfácio nem como curiosidade post-mortem”, afirma ele. “É um filme belíssimo, que contém alguns momentos tão fulgurantes como os mais fulgurantes momentos da sua obra conhecida até agora”.

Grande mestre do cinema português, Manoel de Oliveira morreu em 2 de abril. “Filmar é o meu trabalho e a minha paixão. Minha vida passou rápido demais e não tenho tempo a perder”, dizia, cheio de energia, alguns anos atrás.

A casa onde Manoel de Oliveira viveu, no Porto, durante mais de quarenta anos, é o cenário e o mote para o documentário.

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