Barragem fica só na promessa

Um ano após informar que retomaria obra de reservatório, sem cumprir, Dnocs reafirma intenção

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Desamparo. Situação na região hoje é a mesma mostrada pela reportagem de O TEMPO em 2014
DANIEL DE CERQUEIRA
Desamparo. Situação na região hoje é a mesma mostrada pela reportagem de O TEMPO em 2014

A cada ano, os meses de janeiro se tornam mais secos na microrregião do Alto Rio Pardo, no Norte de Minas Gerais. Enquanto no primeiro mês de 2012 choveu 98,6 mm na área que compreende municípios como Taiobeiras, Berizal, Indaiabira e Ninheira, dentre outros, em janeiro deste ano foram apenas 10,4 mm, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Na região, a esperança contra a tragédia da seca continua sendo a conclusão da barragem de Berizal – obra do governo federal paralisada há 18 anos e mostrada por O TEMPO em abril de 2014.

Exatamente um ano após visita da reportagem ao Alto Rio Pardo, o empreendimento continua estagnado e até mesmo a promessa do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) se repete. Assim como no ano passado, o órgão federal prometeu lançar o edital de licitação até o próximo mês, garantindo que as obras para represar o rio Pardo serão retomadas ainda neste ano. Hélvio Araújo é presidente da Associação de Amigos das Águas do Alto Rio Pardo, entidade que, ao lado de prefeitos da região pede pelo término da construção. Ele afirma não ter perdido a esperança, mas já recebeu inúmeras promessas do Dnocs.   “Essa região praticamente virou um deserto. Não pode ser considerada mais uma área de agricultura. A situação está crítica”, conta Araújo, ressaltando que, mais uma vez, o rio Pardo secou em diversos pontos. Os problemas da seca no Alto Rio Pardo se tornaram mais graves a partir de 2012. Com a falta de água, grandes e pequenos agricultores perderam lavouras, municípios viram rebanhos de gado serem dizimados e prefeituras precisaram investir a pouca verba que dispunham em reservatórios, chamados de barraginhas. Caminhões-pipa se tornaram a salvação do sertão mineiro. O coordenador estadual do Dnocs, Gustavo Xavier Ferreira, explica que a obra já foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 3 e que R$ 50 milhões de um total de R$ 251 milhões já foram liberados para o empreendimento. De acordo com ele, o edital de licitação está sendo finalizado e deve ser divulgado até a primeira quinzena de maio. “Nós temos uma projeção de terminar a obra em dois anos. A nossa preocupação hoje não é tanto o reinício imediato das obras, mas resolver as questões socioambientais da barragem”, destaca. Ferreira se refere às propriedades que serão invadidas pelo reservatório da represa e que precisarão ser desapropriadas. Embora a licitação deva ser feita em Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que permitirá a conclusão da concorrência em cerca de 30 dias, será nos processos de indenização e reassentamento dos moradores que o Dnocs gastará mais tempo. O departamento não confirma o número de terrenos atingidos, mas cerca de 420 proprietários devem ter terras alagadas. A maior parte do dinheiro será gasta com as indenizações.   “Sem sombra de dúvida, é uma das obras mais importantes para o Norte de Minas e para o Alto Rio Pardo. Ela trará uma segurança hídrica para a região”, garantiu Ferreira. O empreendimento tem 40% de sua estrutura pronta. O vertedouro da barragem também está concluído, feito entre 1997 e 1999. Ao se encontrar com a represa, o rio Pardo formará um lago de 42,2 milhões de m², onde serão armazenados 300 milhões de m³ de água.

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