A comovente Festa dos Santos do Rio em Januária

iG Minas Gerais |

Em 2001, celebramos os 500 anos da descoberta do São Francisco, por Américo Vespúcio e André Gonçalves. Os januarenses, orgulhosos da presença desse colosso fluvial em seu espaço, criaram, sob a liderança de Sônia Aquino (Sesc Laces), um evento inspirado na sua religiosidade para registrar sua importância histórica, ambiental e econômica. Denominaram-no Festa dos Santos do Rio, que se inseriu no calendário da cidade, no dia 4 de outubro ou no sábado mais próximo, porque seus objetivos eram nobres e integravam-se plenamente ao cotidiano de uma comunidade de pescadores. Eles estavam recuperando uma cerimônia que era realizada entre os anos 50 e 60, no dia 29 de junho, em homenagem a são Pedro. Consistia, então, de uma missa campal na Coroa, um banco de areia móvel que ficava próximo à margem direita do rio, onde havia um cruzeiro. Os fiéis iam, depois, em procissão até a igreja de Santa Cruz, templo daqueles profissionais. Na festa atual, os pescadores enaltecem suas tradições e reverenciam os santos que os protegem dos constantes reveses, enquanto garantem o sustento da família. Querem também conscientizar a população sobre a necessidade de preservar seu melhor patrimônio natural, alertando quanto à redução do volume e da qualidade da água do Velho Chico. Lembram que, naquele tempo, era possível “pegar os peixes com as mãos”, embora estivessem expostos a muitos riscos, como naufrágio, afogamento, encalhe nos bancos de areia, tempestades e ataques do caboclo-d’água ou outros seres míticos que habitam o fundo do rio. Acreditam, portanto, que devem rezar bastante, suplicando a intercessão de seus protetores junto a Deus. Como o rio está minguando, esse evento grandioso em torno dele é importante e louvável. São três procissões: a primeira é da padroeira, Nossa Senhora das Dores, que é conduzida em andor por homens uniformizados a partir da catedral. A segunda sai do convento das freiras franciscanas com uma imagem de são Francisco, sendo acompanhada por músicos que se vestem como aquele santo. A terceira é mais emocionante, porque a imagem de são Pedro, padroeiro dos pescadores, é instalada em um barco que desce o rio, desde Pedras de Maria da Cruz, seguido por fiéis que lotam outras cem embarcações iluminadas por velas. O encontro dos participantes acontece na praia formada pelo recuo do Velho Chico, decorrente da drástica redução de seu volume nos últimos anos. Ali ficava, nos melhores tempos da hidrovia, o porto que recebia os vapores e outras embarcações. Assistem à missa campal celebrada pelo bispo, dom José Moreira da Silva, e participam, em seguida, de cantorias com violas e apresentações folclóricas. Muitos fiéis portam estandartes para expressar sua devoção. Um show pirotécnico confere mais brilho ao evento rotulado pelos januarenses como “romaria das águas”, pois mantêm especial apreço pelo Velho Chico, afirmando que têm esse rio dentro d’alma.

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