Bate debate 24/4/2015

iG Minas Gerais |

Feira da Toshiba   Sérgio Heriberto da Costa Microempresário    A respeito do impasse na feira da Toshiba que foi matéria recentemente no jornal O TEMPO Contagem, penso que existe gosto para tudo, até pessoas que gostem de morar em um local onde não se pode ter cachorro, não se pode ligar liquidificador para não incomodar o vizinho, ou seja, cada um tem direito as suas esquisitices, desde que não queiram que todo mundo seja igual. Evidentemente que estas pessoas só podem conviver com outras iguais a elas, e é para isso que existem os condomínios. Até aí, tudo bem. O que talvez elas não saibam, é que, fora deste “mundo particular” que criaram, existem outros cidadãos que preferem um pouco mais de alegria e animação a esse sossego exagerado. Eu entendo as reclamações até certo ponto, pois também moro em um local de grande movimento e não existe um dia sequer em que não tenha carros estacionados na frente da minha garagem, nem por isso eu quero o fim das atividades na região. Se existem problemas na feira, é preciso corrigi-los, e não acabar com o evento, que aliás já é tradicional (que o diga o prefeito Carlin, um frequentador de longa data, além de outras autoridades que frequentam o espaço). Se querem acabar com a feira por falta de mobilidade, teriam que acabar também com todos as outras feiras e eventos que causam o mesmo transtorno, se for por causa de produtos roubados, teriam que fechar também todo tipo de topa-tudo e até jornais e sites de classificados como o internacional OLX, por exemplo, em que muitos dos produtos anunciados são de procedência incerta, ou seja, até parece que, acabando com a feira, estarão acabando com os roubos e que não existem locais fora de lá para um bandido desovar objetos roubados. Com um sistema inovador de barracas fixas idealizado pelo seu presidente Dedé, esta feira está há mais de 30 anos no local e, na minha opinião, é a maior expressão cultural da grande BH (teve, inclusive, uma equipe de cinema fazendo um documentário ali). Numa única circulada é possível se ver roda de acordeon, roda de pagode, parque de diversões, bingo, comidas típicas, antiguidades, artesanato, automóveis antigos e modernos, gente no palco fazendo imitação, querendo arrumar namorada, contando piadas, enfim... tendo seus 15 minutos de fama... e mais: cantor sertanejo divulgando CD, pastor fazendo momento de reflexão, flashes de pensamentos e frases motivacionais, campanhas educativas, todo tipo de anúncio de compra e venda, muita música brega e atual, além do próprio apresentador Mauro Gomes, que é um verdadeiro Silvio Santos. Se isso não é expressão cultural, o que mais é, então? Qual outro evento na grande BH dá tanto espaço para a cultura popular? Como disse, muitas coisas precisam ser corrigidas, como por exemplo: estacionou na frente de garagem? Não tem tolerância, é guinchamento imediato e multa. A feira, além de tudo, é o sustento de cerca 300 famílias há mais de três décadas, e, ao contrário do que muitos possam pensar, esses cidadãos não vão abrir mão do seu ganha-pão tão facilmente. Evidentemente opiniões divergentes devem ser consideradas e respeitadas, mas essa é a minha opinião, que acredito ser também a de milhares de admiradores da tradicional feira da Toshiba.  

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