Quando duas mulheres se libertam

Com uma jornada de mais de dez anos para chegar às telas, longa é raro exemplar de road movie estrelado por mulheres

iG Minas Gerais | daniel oliveira |


Sarandon e Davis e a foto que fez das protagonistas pioneiras na arte da selfie
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Sarandon e Davis e a foto que fez das protagonistas pioneiras na arte da selfie

São incontáveis os filmes sobre homens que, numa crise existencial, abandonam suas vidas e caem na estrada em busca de si mesmos. Os anos 1970 têm praticamente uma escola só disso. A profundidade do autoquestionamento e a busca por liberdade são naturalmente associadas ao masculino no cinema. Mas a ideia de uma mulher fazer isso é algo bastante raro.

É por isso que “Thelma e Louise”, que o Cine Humberto Mauro exibe no domingo às 16h, é ainda um dos principais marcos no gênero do road movie. O longa dirigido por Ridley Scott em 1991 acompanha as amigas do título, Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon), que decidem abandonar suas vidas conformadas, seus lares ingratos, parceiros abusivos e cair na estrada em busca de... felicidade. Diversão.

O mais próximo que o grande cinema norte-americano chegou disso foi “Alice Ñão Mora Mais Aqui”, dirigido por Martin Scorsese em 1974. Mas no filme estrelado por Ellen Burstyn, ela buscava um novo recomeço com a filha. Era definida pela maternidade.

E é exatamente disso que o roteiro de Callie Khouri tenta escapar. O feminismo de sua história está no fato de que suas protagonistas decidem pensar em si mesmas e colocar a própria felicidade acima de tudo – o que não impede que elas façam escolhas imperfeitas e, consequentemente, sejam personagens infinitamente interessantes.

Sintoma de como uma história assim é rara em Hollywood, Khouri concebeu o projeto em 1979 e pretendia dirigi-lo ela mesma. Demorou mais de dez anos para que o filme fosse feito – e sob o comando de um homem.

Como triunfo compensatório, o script de Khouri, usado como exemplo de estrutura em aulas de dramaturgia até hoje, venceu o Oscar de roteiro original. Ela hoje assina a capenga série “Nashville”. Davis acabou de encerrar um pequeno arco em “Grey’s Anatomy”. E Sarandon amarga o papel de avó de Melissa McCarthy em bombas como “Tammy”. Mais de 20 anos depois, Hollywood ainda não sabe o que fazer com suas grandes mulheres.

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