Computador barato é criado com a ajuda de moradores de favelas

Empresa quer fabricar o Endless no Brasil para manter o preço baixo

iG Minas Gerais |

Diferente. 
Equipamento faz da TV um computador com quase cem aplicativos, como Wikipedia, mesmo sem internet
Endless/Divulgação
Diferente. Equipamento faz da TV um computador com quase cem aplicativos, como Wikipedia, mesmo sem internet

São Paulo. No último dia 10, a presidente Dilma Rousseff apareceu ao lado do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, para anunciar mais uma etapa do projeto de inclusão digital da rede social, o Internet.org, na comunidade de Heliópolis, na cidade de São Paulo. Embora mais famosa, esta não é a única iniciativa do Vale do Silício que visa tornar a tecnologia mais acessível a populações de menor renda. Com brasileiros e norte-americanos entre os sócios, a Endless, de São Francisco, nos Estados Unidos, iniciou sua campanha para “um computador para o mundo inteiro”.

A intenção da empresa é oferecer um produto acessível à grande massa de pessoas de países emergentes que está à margem da revolução tecnológica atual por não ter dinheiro para comprar ou ter dificuldade de usar um computador. O modelo foi desenvolvido a partir de testes em comunidades como a Rocinha e o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

De acordo com Marcelo Sampaio, carioca que é diretor de expansão da empresa, os testes incluíram principalmente jovens, mas também pessoas idosas e donas de casa que nunca tocaram em um mouse. “Queremos atingir um espectro grande de gente. Se uma senhora entrar no computador, terá algo do interesse dela lá”, explica.

Com design moderno e arredondado como um domo, o computador da Endless pode ser ligado em televisores comuns e não precisa de conexão à internet para o uso de seus quase cem aplicativos, que incluem a enciclopédia colaborativa Wikipedia, vídeo-aulas da Khan Academy, um criador de currículos, programa de texto, editor de imagem e tocador de música.

A campanha de arrecadação no site Kickstarter, que procura viabilizar seu lançamento global, já levantou US$ 83 mil dos almejados US$ 100 mil, com mais de 20 dias de prazo pela frente.

Segundo a Endless, o computador deve chegar ao consumidor final a um preço de US$ 169. O objetivo da empresa, que está em conversas com possíveis parceiros, é fabricar o equipamento no Brasil para poder manter o preço baixo. A previsão de lançamento no país é o primeiro semestre de 2016.

Antes da chegada do computador, a empresa pretende disponibilizar de forma gratuita seu software no Brasil em agosto deste ano, com foco no licenciamento para governos usarem na rede pública de ensino.

Rocinha. A Endless incluiu pessoas das comunidades que quer atingir em sua equipe. Uma dessas colaboradoras é Michele Silva, que a empresa conheceu graças ao blog Viva Rocinha, iniciado por ela em 2011. “Viramos amigos, e meses depois a Endless abriu uma vaga para comunicação. Fui chamada para um piloto de três meses, mas já estou aqui há dois anos”, diz Michele, que cuida da presença online da marca e estava em São Francisco para o lançamento mundial do projeto.

Michele explica que participou do desenvolvimento ao lado de outros membros da equipe que vieram das comunidades, reportando opiniões de usuários, pois “entendemos a linguagem com a qual a galera de lá está mais familiarizada”.

Flash

Fácil. “Um teclado não é caro, e o monitor... Bem, se tem uma coisa que eu vi em viagens por Índia, Brasil, Tailândia e outros lugares, é que TVs de alta definição estão na maioria das casas”, disse o CEO da Endless, Matt Dalio.

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