Prefeitura retira funcionários da hemodiálise e prejudica pacientes

Profissionais considerados obrigatórios para o funcionamento dos serviços de diálise foram retirados do setor; pacientes correm o risco de perder lugar na fila do transplante

iG Minas Gerais | Luna Normand |

Nova sala de hemodiálise, construída em 2012 e que ja deveria ter sido inaugurada, virou depósito de caixas
Foto cedida por paciente
Nova sala de hemodiálise, construída em 2012 e que ja deveria ter sido inaugurada, virou depósito de caixas

Pacientes do setor da hemodiálise do Hospital Regional de Betim, além de enfrentarem toda dor e dificuldade que a doença causa, ainda são obrigados a conviver com o descaso do governo municipal em relação ao tratamento ao qual estão submetidos. Há cerca de três semanas, assistentes sociais, nutricionistas e psicólogos, considerados obrigatórios para o funcionamento dos serviços de diálise, foram retirados do setor. Eles faziam procedimentos considerados essenciais, como exames e o cadastro dos doentes na fila do transplante. Com medo do que pode acontecer - há risco de eles perderem o lugar na fila-, os pacientes cobram a volta dos profissionais e denunciam ainda outros problemas do setor, como falta de medicamento, equipamento sucateados e até da falta de uma alimentação adequada.

A técnica de enfermagem Eloísa Gomes da Silva, 30, diz que a situação é de revolta e indignação. Ela conta que os dois assistentes sociais, psicólogos e nutricionistas que cuidavam exclusivamente dos pacientes da hemodiálise estão, agora, atendendo a todo o hospital em uma sala fora do setor. “Tiraram eles e não nos deram nenhuma satisfação. Estamos sendo tratados como resto”, reclamou.

Segundo ela, não há mais nenhum profissional para controlar os exames considerados obrigatórios para que o doente renal siga na fila do transplante de rins. “Era a psicóloga quem solicitava nossa soroteca (exame essencial para quem espera pelo transplante) a cada dois meses. Se não enviar, a pessoa sai automaticamente da fila do transplante”, afirma. Hoje, segundo Eloísa, existem três salas de hemodiálise no hospital. “A nova, construída em 2012, não foi inaugurada até hoje e virou depósito de caixas de materiais, enquanto nós usamos aparelhos e cadeiras remendadas”, diz.

Para Valdemar Batista, 51, presidente da Associação dos Portadores Renais de Betim, a situação é ainda mais grave. Ele denuncia o descaso do médico nefrologista de plantão com os pacientes. “Ele não fica no setor monitorando o que acontece por lá. Só aparece no início e no fim de cada turno. Quando o paciente passa mal, se é alguma coisa simples, as próprias enfermeiras mandam fazer o medicamento. Se é grave, elas ligam para o médico e ele prescreve pelo telefone mesmo”, afirmou.

Alimentação Sem nutricionista, os usuários da hemodiálise sofrem também com a comida, que deveria ser balanceada e específica. “A alimentação está péssima. O arroz é sempre do dia anterior. Estamos comendo comida velha”, revela Djalma Dias, 73 anos, que reclama também da falta de medicamentos. “Tive que comprar um medicamento que está em falta há 3 meses, mesmo sabendo que tenho direito a ele, porque pago imposto”, reclamou.

Outra usuária, Ivanilde da Silva Martins, 43, confirma a precariedade a qual os pacientes de hemodiálise estão sendo submetidos. “Precisamos de um tratamento melhor. Está tudo muito difícil. Ouvi um boato de que um técnico de enfermagem vai ficar com seis pacientes. Vai começar a morrer gente. Um enfermeiro para quatro pacientes já é pouco, imagina seis?”, questionou.

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