Um chef adepto da controvérsia

Chef alagoano Guga Rocha vem a Belo Horizonte para lançar "Receitas Para Pegar Mulher"

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Guga Rocha acumula as funções de chef, apresentador de TV, pesquisador e escritor
Fox Life / Divulgação
Guga Rocha acumula as funções de chef, apresentador de TV, pesquisador e escritor

Na cozinha (e fora dela), Guga Rocha faz o que quer, nunca o que esperam que ele faça. Pelo menos é assim que o chef alagoano se define. Com jeito falante e desinibido, ficou famoso na TV, primeiro na Globo, depois na Fox Life e, agora, também na Record. É autor de um livro cujo título não soa bem a todos, “Receitas Para Pegar Mulher”. E promete, para o fim do ano, outro lançamento, com uma pesquisa acadêmica que ele vem fazendo nos últimos sete anos, sobre cozinha quilombola.

O chef participa, hoje e amanhã, de uma maratona em Belo Horizonte para lançar “Receitas Para Pegar Mulher”, em quatro eventos diferentes (veja a agenda abaixo), a convite do festival Brumadinho Gourmet. No livro, ele lista 101 receitas para agradar a alguns estereótipos de mulheres, como “a mãe”, “a executiva” e “a nerd”. Acusado de machismo, Guga explica que quem critica o livro é porque não o leu, fazendo valer o ditado “nunca julgue um livro pela capa”.

O título e a organização do livro, ele explica, não passam de um truque para atrair o público machista, para então convertê-los. “Pode passar batido, mas no título está escrito ‘mulher’, uma só. Não é para pegar ‘mulheres’, como eles acham. Ao contrário dos homens, que são monofacetados, as mulheres são múltiplas, assumem vários papéis ao longo de um dia. A ideia dos perfis é exatamente essa: como agradá-la em cada momento. É uma homenagem às mulheres”, diz.

Guga se tornou cozinheiro por acaso. Estudou direito, administração, hotelaria, marketing, dirigiu uma clínica pediátrica e desistiu de tudo para seguir uma paixão. Mas não era a cozinha, e sim a música. Por mais de 10 anos, foi integrante da banda de rock Arcanjo. Na capital paulista vivendo do sonho e sem dinheiro, acabou pedindo um emprego no restaurante Epicur, onde começou como ajudante de cozinha e chegou a chef.

A empatia com o público, ele conta, se dá porque ele apresenta receitas que usam ingredientes do cotidiano. “Eu mostro pratos ‘fazíveis’. Pegar um foie gras pra fazer uma refeição incrível é fácil, mas não é a realidade das pessoas. Quero ver é fazer uma ótima receita com sardinha enlatada. Quero que as pessoas percam a vergonha de ir para a cozinha, e isso me dá um retorno grande”, diz.

Há poucos meses como integrante do “Programa da Tarde”, na Record, Guga diz que a experiência na TV aberta é um desafio prazeroso. “Acho ótimo que o Ibope é medido ao vivo e, durante os meus quadros, sobe um ponto, um ponto e meio. É muito para a TV e é emocionante. As pessoas que me encontram na rua me tratam como se eu fosse um parente, é engraçado. Adoro esse retorno delas”, afirma ele.

O chef só fala sério quando o assunto é sua pesquisa. Nascido em Alagoas, o Estado do quilombo dos Palmares, ele vem catalogando receitas de quilombos Brasil afora, e pretende lançá-las em livro até o fim deste ano. “A miscigenação da cultura brasileira se originou no quilombo, em liberdade. Nada se cria quando se é escravo. Vejo a pesquisa como um trabalho mais de cunho social, que aproveita a gastronomia como pano de fundo. Quero que o livro seja distribuídos nas faculdades de gastronomia, que as pessoas tenham acesso, porque boa parte do que a gente acredita em relação à cultura culinária brasileira não é verdade”, pontua.

Fã de cozinha (e de cachaça) mineira, nesta visita à capital Guga só espera se livrar do trauma. “Adoro Belo Horizonte e tenho muitos amigos daí. Mas da última vez que fui, na Copa do Mundo, o Brasil tomou de sete a um. Estou torcendo para a visita ser melhor desta vez”, brinca.

Agenda: 

17/4 - 20h -  Baobar Gastronomia & Arte Africana. Rua 28 de Setembro, 476, Esplanada, Consulado do Senegal. 18/4 - 11h - Café com Letras Savassi. Rua Antônio de Albuquerque, 781. 18/04 – 13h30 - Restaurante Ortiz. Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, Museu Abílio Barreto 18/04 – 20h - Vila do Chef. Rua Senhora do Porto, 431-499, Palmeiras.

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