Dólar cai após preocupação do Fed com moeda forte

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em baixa de 0,95%, para R$ 3,051

iG Minas Gerais | Folhapress |

Para o alto.
 Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940
Marcos Santos/USP Imagens
Para o alto. Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940

O dólar cai nesta quarta-feira (15) após documento do banco central americano expressar preocupação da autoridade monetária com o impacto da valorização da moeda no crescimento nos Estados Unidos.

Em seu "Livro Bege", o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) afirma que o enfraquecimento na demanda por produtos manufaturados nos EUA está relacionado ao "dólar forte, à queda dos preços do petróleo e ao inverno rigoroso".

O documento afirmou ainda que a atividade econômica nos EUA continuou se expandido entre meados de fevereiro e final de março. A maioria dos bancos centrais regionais descreveu o crescimento como progredindo de forma moderada ou modesta.

Das 24 principais moedas emergentes, 15 caíram em relação ao dólar.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em baixa de 0,95%, para R$ 3,051. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve queda de 0,91%, para R$ 3,035.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, renovou o maior patamar em quase cinco meses. O índice subiu 1,74%, para 54.918 pontos, maior pontuação desde 26 de novembro do ano passado. A alta foi impulsionada pela valorização de mais de 6% dos papéis da Petrobras, que tiveram o quinto avanço seguido.

Ainda nos EUA, a produção industrial teve, em março, a maior queda em mais de dois anos e meio, pressionada por uma redução na produção em mineração e concessionárias de serviços públicos, oferecendo novas evidências de que o crescimento econômico desacelerou com força no primeiro trimestre.

A produção industrial caiu 0,6% em março em relação ao mês anterior, após ter avançado 0,1% em fevereiro, informou nesta quarta-feira o Federal Reserve (Fed, banco central americano). O recuo de março foi o maior desde agosto de 2012.

"A atividade econômica veio mais fraca, o que indica uma ideia de que os juros não vão subir tão cedo nos Estados Unidos", afirma Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Na China, o PIB veio de acordo com o esperado pelos analistas e subiu 7% no primeiro trimestre do ano, o menor crescimento em seis anos.

"A leitura desses números é que o processo de desaceleração da economia chinesa é notório e demanda ações mais fortes do governo que só tem conseguido amenizar uma queda mais contundente da atividade", afirma Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) deixou as taxas de juros inalteradas na zona do euro, nas mínimas recordes, conforme implementa um esquema de impressão de dinheiro para impulsionar a economia.

BRASIL

Investidores também analisaram o índice de atividade econômica medido pelo Banco Central, o IBC-Br, que surpreendeu em fevereiro e subiu 0,36% em relação a janeiro -maior alta desde meados do ano passado.

Em janeiro, houve queda de 0,11% na comparação mensal. No ano o IBC-Br acumula queda de 1,10%. Na comparação com fevereiro de 2014, porém, o índice caiu 0,86%, e em 12 meses recuou 0,60%.

"O dólar vem mostrando uma menor aversão ao risco do mercado brasileiro, com um alívio de algumas tensões que preocupavam os investidores", afirma Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

"A queda do dólar tem a ver com todo o pessimismo que a gente vinha assistindo, um massacre diário na parte política. Agora, o [ministro da Fazenda Joaquim] Levy tomou as rédeas da negociação e mostrou a realidade que o governo não conseguia mostrar para o congresso, que ao vetar projetos do ajuste fiscal estava prejudicando não o governo, mas o Brasil", afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

BOLSA

As ações da Petrobras subiram pelo quinto dia seguido, ainda sob a expectativa pela divulgação do balanço auditado, no próximo dia 22.

Os papéis preferenciais da petrolífera, os mais negociados e sem direito a voto, tiveram alta de 6,73%, para R$ 13,33. No mesmo horário, as ações ordinárias, com direito a voto, subiram 7,87%, para R$ 13,43.

As ações da mineradora Vale tiveram alta, após a empresa aprovar pagamento da primeira parcela de remuneração mínima aos acionistas em 2015, no valor bruto de R$ 3,1 bilhões.

Os papéis preferenciais da mineradora subiram 0,84%, para R$ 15,49, enquanto os ordinários tiveram alta de 2,02%, para R$ 18,60.

Vale lembrar que nesta quarta-feira (15) ocorre o vencimento de opções sobre o índice Ibovespa, o que geralmente aumenta o volume financeiro negociado no dia.

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