Tarso critica Temer na articulação e diz que PT virou 'acessório'

Temer vai desempenhar função que anteriormente era responsabilidade de Pepe Vargas, outro petista do Rio Grande do Sul

iG Minas Gerais | Folhapress |

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O ex-governador gaúcho Tarso Genro (PT) criticou nesta quarta-feira (8) a iniciativa da presidente Dilma Rousseff de entregar a articulação política ao vice Michel Temer (PMDB) e afirmou que o PT está "fora das decisões principais" do governo.

Pelo Twitter, Tarso citou como exemplo de distanciamento do partido as medidas adotadas nas áreas econômica e política. Ele afirmou que essa é sua "constatação" a respeito da mudança na equipe de Dilma e que a medida pode provocar consequências negativas.

"Outra constatação, para o bem e para o mal: PT é cada vez mais acessório no governo. Não é nem consultado", escreveu. "Medidas extremas desse tipo, se não derem certo, geram uma crise muito maior do que aquela que a medida tenta resolver".

Temer vai desempenhar função que anteriormente era responsabilidade de Pepe Vargas, outro petista do Rio Grande do Sul.

Tarso havia sido ministro das Relações Institucionais no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2006 e 2007. Também foi presidente nacional do PT após a queda da cúpula do partido no escândalo do mensalão e pregou a "refundação" da legenda.

Em 2014, o então governador do Rio Grande do Sul colou sua campanha à reeleição no Estado à candidatura de Dilma a presidente e defendia o governo de maneira veemente.

Há duas semanas, Tarso já havia criticado o governo pela demora em regulamentar o novo indexador das dívidas estaduais. Afirmou na ocasião que isso obriga os Estados a permanecer sob uma "austeridade inviável".

Na semana passada, ele defendeu que a direção do PT afastasse preventivamente o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que é réu em processo ligado à Operação Lava Jato.

MUDANÇA

Dilma anunciou a troca de Pepe Vargas por Temer nesta terça (7), depois de convidar o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), também do PMDB, para ocupar a Secretaria de Relações Institucionais.

Padilha recusou alegando motivos pessoais, mas nos bastidores enfrentou resistências por parte de Renan e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os dois preferiam não ter um peemedebista no comando da articulação política para seguirem atuando com liberdade e autonomia em relação ao governo Dilma. Renan mudou o tom, porém, por ter proximidade com Temer.

Cunha manteve as críticas à escolha do vice-presidente para a articulação política. A bancada do PMDB da Câmara trabalhava para indicar um deputado para a função, caso o cargo fosse ficar nas mãos do partido.

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