Quem ganhar o Mineiro deverá se contentar muito neste ano

iG Minas Gerais |

O ano não começou bem para Atlético e Cruzeiro, que ainda não conseguiram se acertar nas competições que disputam. Se continuarem desse jeito, quem ganhar o título mineiro (caso um deles ganhe) se dará por muito satisfeito com a única taça do ano. E um dos dois poderá ficar mais desfalcado ainda nas próximas semanas, já que o Porto está de olho em Marcos Rocha e Mayke para substituir Danilo, vendido ao Real Madri por R$ 108 milhões. O Atlético ainda não recebeu nenhuma oferta, mas na semana passada o telefone do Dr. Gilvan de Pinho Tavares tocou, e, do outro lado da linha, um dirigente do clube português ofereceu 10 milhões de euros pelo Mayke. O presidente achou a oferta baixa. Se os portugueses chegarem a 15 milhões levam o jovem lateral. Menos ruim A imprensa nacional tem falado que a fórmula do Campeonato Mineiro é a melhor entre todos os estaduais. Realmente temos a fórmula menos ruim. Bom demais que dois clubes do interior estejam na final, mas, na verdade, a Caldense é que merece todos os elogios, por se tratar de um dos poucos clubes do interior do Brasil que consegue se sustentar com as próprias pernas. O Tombense é um “barriga de aluguel”, usado e sustentado pelo Eduardo Uran, um dos empresários mais poderosos do nosso futebol, proprietário dos direitos de muitos jogadores, das prateleiras de baixo, do meio e de cima do país. Muito forte Para que as senhoras e os senhores tenham uma ideia, o zagueiro Thiago Silva, o capitão chorão da seleção brasileira de 2014, foi transferido, oficialmente, do Tombense para o Milan, na primeira transação dele para o exterior. Leo Moura, o ex-lateral-direito do Flamengo, também já pertenceu a esse empresário. Clube centenário O “dono” do Tombense, Lane Mendonça Gaviolle, é do ramo de artefatos e cimentos, chegado do Uran, dos tempos em que morou no Rio de Janeiro. A partir de 1999 o clube cresceu física e futebolisticamente, aproveitando uma tradição, na época quase centenária, fundado que foi em setembro de 1914. Para uma cidade de 10 mil habitantes, glória maior, impossível. Mas, se amanhã ou depois, a situação ficar ruim para os interessados; “aquele abraço”, e o clube sai do cenário. Um barrado Atlético e Cruzeiro não decidirem o título é uma novidade que acontece raramente, mas isso representa muito pouco para o nosso futebol. Não mostra força do interior, mas sim a fragilidade dos dois grandes neste momento, além de estarem com a cabeça na sequência da Libertadores. Sem falar que o América, mais frágil ainda, conseguiu ficar fora da final. Menos mal Interessante a visão do americano Márcio Amorim sobre a não classificação do América para a fase final do Campeonato Mineiro: “Não considero uma derrota para o América o fato de não se ter classificado para a fase final do rural. Não é preciso ser muito “sensato” para exigir que o rural seja feito para revelar jogadores, quando se sabe que as finanças do América não permitem contratações bombásticas, como fazem os rivais. Pagam absurdos a refugos medianos e conseguem times razoáveis com atletas medianos. É normal, no enfrentamento com times relâmpagos do interior. O problema é que jogam muito dinheiro fora porque o retorno nem sempre é satisfatório. Basta ver os comentários dos torcedores atleticanos e cruzeirenses sobre algumas contratações caras – Guilherme, Cárdenas, Júlio Batista, entre outros. O América já ignora e menospreza a sua categoria de base há anos. A maior vitória do Givanildo foi disputar uma vaga na semifinal até a última rodada, priorizando a base. Sentiu cedo que os Pedrinhos e os Lorenzis não seriam melhores do que os garotos. Colocou-os onde deveriam estar: no campo, jogando. Já são três as gerações que não tiveram chance por causa de pernas de pau de empresários: Doriva, Willians, Camilo, Kléber… uma lista interminável. Os garotos, na partida de anteontem, andaram ameaçando pisar na bola. Toques laterais ou dribles tão desnecessários quanto inúteis. A torcida ensaiou uma vaia, e eles pararam. São ótimos e serão úteis, se bem usados, instruídos e orientados. Essa é a vitória do Givanildo. Quanto ao título, dá-se um jeito. Não se joga em Tombos nem em Poços e fica tudo em casa. Pressiona que os times se vendem, e fica tudo no Mineirão ou Independência. Não seria a primeira vez e nem será a última. Alguém não foi a Nova Lima, o América foi. Alguém não foi a Tombos. O América foi. Alguém não foi a Divinópolis. O América foi e deixou seis pontos nesses “estádios”. Suficientes para ser o primeiro colocado. Vida que segue.

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