Minas engatinha na certificação de prédios sustentáveis

Projetos ecologicamente corretos demandam maior investimento, mas se pagam com o tempo

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Exemplo. Primeira obra certificada em Minas, reforma do Mineirão contemplou de células fotovoltaicas a reúso de água, entre outros
RENATO COBUCCI/IMPRENSA-MG-39150
Exemplo. Primeira obra certificada em Minas, reforma do Mineirão contemplou de células fotovoltaicas a reúso de água, entre outros

Os prédios sustentáveis estão aos poucos chegando a Belo Horizonte – hoje, a capital conta apenas com a estrutura do Mineirão certificada pela Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), considerado o principal selo para edificações no país e que, por sua vez, é fornecido pelo Green Building Council (GBC), entidade norte-americana presente em 143 países. Outros empreendimentos, porém, estão finalizando o processo para ganharem o selo da Leed. É o caso da nova sede da Cemig, inaugurada em novembro de 2014, no Barro Preto, da loja de decoração Tetum, no bairro Carmo, e do Boulevard Corporate Tower, no Santa Efigênia.

“O investimento em sustentabilidade é uma tendência. E deveria ser uma obrigação, principalmente diante da situação da água. Não tem como não pensar em prédios mais inteligentes”, avalia a supervisora de meio ambiente e qualidade da Minas Arena, Marcela Viana, que acompanhou o processo realizado no Mineirão.

Para conseguir uma certificação Leed, uma construção deve cumprir pré-requisitos em áreas como eficiência no uso da água e da energia elétrica, dos materiais, da qualidade ambiental interna, dos processos inovadores e do menor impacto no ecossistema, além da redução do uso de carros e das ilhas de calor.

“São desafios colocados pelo GBC, mas, além dos benefícios imensuráveis de responsabilidade social, o projeto pode trazer economia ao cliente”, explica a arquiteta Vanessa Rocha Siqueira, associada ao GBC Brasil e sócia do escritório paulista Norte Arquitetura, cujo foco é a área de sustentabilidade de edificações.

Retorno. Uma das ideias combatidas por Vanessa é que um projeto sustentável é mais caro que o de um prédio convencional. “A parte do projeto pode ficar maior, mas tem que ser considerado o que vai trazer de economia depois. Não é uma conta imediatista”, afirma. Para a arquiteta Renata Campomizzi, do escritório da mineira Eduarda Corrêa, que acompanhou o projeto da loja Tetum, “é um projeto exigente, mas não envolve um custo maior porque os investimentos são compensados”.

Certificados

Comparação. Em Minas Gerais, seis empreendimentos são certificados pela Leed, contra 144 em São Paulo. Porém, 24 construções mineiras tentam conseguir o selo, sendo que cinco estão na capital.

Muito além do selo verde  Empreendimentos que se preocupam com a sustentabilidade, mesmo sem certificação, estão mais populares em Belo Horizonte. “Adotamos medidas sustentáveis em todos os novos projetos da construtora”, afirma Bárbara Soares, coordenadora de incorporação e projeto da Masb.

“Fomos além da certificação Leed quando desenvolvemos o projeto do prédio”, diz o arquiteto Gustavo Penna, responsável pelo projeto da nova sede da Cemig.

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