Grito Rock, muito além do próprio gênero

Festival se abre ao rap e ao movimento LGBT com shows de Zaika, Rico Dalasam, Djambê e Trovão de Minas

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Rico Dalasam é representante do queer rap nacional, ao expor dilemas LGBT em suas rimas criativas de rap
HenriqueGrandi
Rico Dalasam é representante do queer rap nacional, ao expor dilemas LGBT em suas rimas criativas de rap

Mesmo que o rock esteja estampado no nome, há muito o festival Grito Rock subverteu o próprio gênero, explorando do funk ao samba, do axé ao tango – sem preconceitos. Na sétima edição em Belo Horizonte, o rompimento de padrões prevalece novamente. Desta vez, a aposta é no rap e na temática LGBT, ao trazer os rappers Rico Dalasam e Zaika dos Santos para a primeira noite de shows, no Baixo Centro Cultural, amanhã.

Ao longo de nove anos, o Grito Rock ficou marcado por apresentar pequenas bandas que se tornariam grandes em breve. Da cidade natal do festival, Cuiabá, o Vanguart é um dos principais exemplos que, assim como o Boogarins, foi exportado recentemente para o Brasil graças à versão de Goiânia. O coordenador geral do festival, João Lucas Ribeiro, explica que o Grito Rock atinge hoje 15 países e 200 cidades pelo mundo, com uma rota gigante de shows entre fevereiro e abril, justamente por abrir a cabeça para gêneros diversos que dialogam com o bom e velho rock n’ roll. “Estamos cada vez mais ampliando o leque de estilos. O rock e suas ramificações continuam sendo o eixo central da programação, porém, o hip hop, o pop e a MPB estão cada vez mais conectados a esse universo”, diz Ribeiro.

Na capital mineira, a tradução literal dessa perspectiva poderá ser vista em dois dias de evento, prezando novos espaços da cidade: o Baixo Centro Cultural e A Autêntica, novo palco independente da Savassi.

No Baixo, o rap domina na programação. A começar pelo show de Zaika dos Santos, jovem promessa do rap mineiro, fundadora do grupo Ideologia Feminina, formado apenas por mulheres, e integrante do criativo Coletivo Dinamite. Ela mostra algumas canções do EP “Desabafo”, de 2012, que aborda temáticas como o corpo feminino, o movimento negro e a segregação social baseada na cor da pele.

O ponto alto da noite fica por conta do paulista Rico Dalasam, de apenas 25 anos, adiantado pelo Magazine como promessa de novos talentos brasileiros, além de ser o primeiro rapper negro e gay assumido do país. Mesmo inserido no “universo machista do hip hop”, Rico Dalasam é bandeirante ativo do queer rap nacional – que coloca em voga os dilemas da comunidade LGBT, sob a crença de que “o fervo é protesto”. “Não é fácil estar nesse meio pelo preconceito e falta de costume com gay fazendo rap. Mas eu faço com muito glitter e satisfação”, avisa Rico. Em seu show, estarão amostras do seu EP, “Modo Diverso”, lançado neste ano. Canções como o single “Aceite-C” – que ganhou elogios de Mano Brow e Criolo – e “Não Posso Esperar” colocam o rap frente a frente com o preconceito, o medo, a violência e sentimentos reprimidos do mundo gay. A festa ainda conta com discotecagem do DJ Fael, do Alta Fidelidade.

EM SEGUIDA. Na semana que vem, o Grito do Rock BH se encerra na casa de shows A Autêntica. As apresentações acontecem na sexta-feira, dia 10, trazendo o rock n’ roll e o batuque mineiro à tona, além da discotecagem do DJ Pedrada.

Na ocasião, a banda Djambê lança o segundo álbum da carreira, “Encruzilhadas”, unindo rock e maracatu em um som denso, rotulado pelos próprios integrantes como “rock macumba”. Na mesma pegada, o grupo percussivo Trovão de Minas – pioneiro no gênero na terra das montanhas – une ciranda, côco, moçambique, baião e toadas em um repertório autoral. “Essa é a perspectiva que queremos atingir. Neste ano, a matriz africana está muito em voga, sem abandonar o rock, se unindo ao universo LGBT. São verdadeiras conscientizações de vida através da música”, diz Guidyon Augusto, da Casa Fora do Eixo Minas, que organiza o Grito Rock em Belo Horizonte.

Serviço. O Grito Rock acontece amanhã, a partir das 22h, no Baixo Centro Cultural (rua Aarão Reis, 554, centro), com shows de Zaika dos Santos e Rico Dalasam. R$ 20. No dia 10, o festival será encerrado n’ A Autêntica (rua Alagoas, 1.172, Savassi), 22h, com Djambê e Trovão de Minas. R$ 25

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