Quem diria

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Quem diria! A Rede Globo chega aos 50 anos com a incômoda marca de desagradar a gregos e troianos. De um lado, há o grupo indignado com o tipo de jornalismo promovido pela emissora, que, desde as eleições presidenciais do ano passado, vem sendo acusada de fazer uma cobertura parcial, que priorizava o candidato da oposição em detrimento da candidata do governo. Ali já se pedia um boicote à emissora. A coisa piorou durante os protestos do dia 15 de março contra Dilma Rousseff, com a Globo mobilizando toda a sua estrutura com o objetivo de ampliar a visibilidade dos atos. A hastag #globogolpita não demorou a surgir e acabou sendo o assunto mais comentado das redes sociais no Brasil por um dia inteiro. Hoje, Dia da Mentira, um ato está sendo organizado nas sedes da emissora em todo o país pedindo o fim da Rede Globo. “A favor da verdade e liberdade, democracia e respeito às instituições. Contra o monopólio da mídia e suas manipulações e mentiras, pela regulamentação dos meios de comunicação!”, diz o chamamento para a manifestação em sua página no Facebook. Por outro, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso pede boicote à novela “Babilônia” por ter “a intenção de afrontar os valores cristãos” e “atacar a família natural”. O inconformismo com a trama de Gilberto Braga se deve à “ousadia” do autor em colocar no centro da história a relação homossexual de duas senhoras. O beijo entre elas no primeiro capítulo logo gerou uma série de protestos das igrejas evangélicas de todo o país, culminando com o pedido do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de boicote à Natura, principal patrocinadora da novela. Difícil saber o quanto esses boicotes estão conseguindo levar a cabo suas intenções. O fato é que o “Jornal Nacional”, principal telejornal da emissora, tem registrado a mais baixa audiência de sua história: 18 pontos. A trama das nove, por sua vez, tem conquistado índices mais baixos que a trama das sete. Amansar a turma que defende “a família natural” é fácil. É só matar as lésbicas, como, aliás, já fez Silvio de Abreu há 16 anos, quando o público rejeitou o casal Leila/Rafaela (Silvia Pfeiffer e Christiane Torloni, respectivamente), de “Torre de Babel”. Difícil vai ser convencer que ela faz jornalismo sério. Isso, nem matando.

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