Após fala polêmica, Levy afirma ter 'satisfação' em integrar governo

Na semana passada, a uma plateia de ex-alunos da Universidade de Chicago, Levy disse que, embora tenha desejo genuíno de acertar, Dilma nem sempre age da maneira mais fácil e efetiva

iG Minas Gerais | Folhapress |


Estudo. 
Joaquim Levy deu carta branca para técnicos encontrarem medidas para reequilibrar contas
RENATO COSTA
Estudo. Joaquim Levy deu carta branca para técnicos encontrarem medidas para reequilibrar contas

Após afirmar a universitários que a presidente Dilma Rousseff nem sempre age da maneira mais "fácil e efetiva", o ministro Joaquim Levy (Fazenda) afirmou ter "satisfação" em participar do governo da petista.

Em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado nesta terça-feira (31), ele afirmou que sua impressão de que a presidente quer "endireitar as coisas" é "compartilhada por muitos" e representa a vontade do servidor público brasileiro.

"Que a presidente quer endireitar as coisas, isso é natural de qualquer mandatário. Tenho certeza que alguns que foram governadores quiseram endireitar muitas coisas. É óbvio que lidamos com pressões e nem tudo se conclui como os tecnocratas indicariam que seria a solução perfeita. É da natureza dos processos democráticos", afirmou.

Na semana passada, a uma plateia de ex-alunos da Universidade de Chicago, Levy disse que, embora tenha desejo genuíno de acertar, Dilma nem sempre age da maneira mais fácil e efetiva. O ministro nega que tenha feito críticas à petista.

Levy levantou o tema durante a audiência no Senado depois de ser questionado pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que acusou o ministro de ser conhecedor da "desonestidade" do governo do PT. O tucano também questionou se ele temia macular sua biografia ao integrar um "governo desastroso".

O ministro evitou responder ao senador inicialmente, mas depois da insistência de Oliveira, disse que tem "satisfação" de estar no governo Dilma Rousseff devido à "capacidade de construção de soluções democráticas" da gestão da petista.

"Se tivermos sucesso em avançar em pautas assim [como o indexador das dívidas], com o coração muito humilde, eu diria que terá sido uma oferta inesperada para a minha biografia. Isso não se faz sozinho", afirmou.

Levy disse que a "possibilidade de estar em um governo democrático, de diálogo "é um privilégio para qualquer pessoa". "É dessa forma que se insere minha participação na vida pública, da forma como sempre procurei me conduzir".

O ministro afirmou que, se os seus colegas da pasta lhe acusarem de tentar "endireitar as coisas", terá orgulho da afirmação. "Esse é o trabalho de todo servidor público. Espero que eles também estejam querendo endireitar", disse.

UNIVERSITÁRIOS

Levy classificou a conversa com os universitários de "informal" e disse que, no diálogo com os estudantes, fez defesa da liberdade de imprensa e de "muitas coisas que devem ser melhoradas" no país.

Dilma saiu em defesa do ministro nesta segunda (30) ao afirmar ter "clareza" de que ele foi "mal interpretado" nas críticas feitas a ela durante evento fechado na semana passada em São Paulo.

A presidente chegou a agradecer o que classificou de elogio do ministro ao esforço do governo em fazer o ajuste fiscal. "Se você pegar fora do contexto, você vai distorcer [o que ele disse]", disse Dilma. "Não tem por que criar maiores complicações", afirmou, após entregar unidades do Minha Casa, Minha Vida em Capanema (152 km de Belém).

No governo, a avaliação é que Levy tem criado situações embaraçosas para ele mesmo e recebeu o conselho de ser mais "cuidadoso" e "policiar suas falas".

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