A estação do cinema autoral

Cine 104 renova sala de projeção e mantém o foco na exibição de filmes que não seguem a lógica de mercado

iG Minas Gerais | fábio corrêa especial para o tempo |

Estreia. Filme nacional “O Fim de Uma Era” será exibido nesta noite em duas sessões gratuitas
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Estreia. Filme nacional “O Fim de Uma Era” será exibido nesta noite em duas sessões gratuitas

Como um dos últimos cinemas de Belo Horizonte com uma programação voltada para produções recentes, mas que normalmente não se enquadram no perfil mercadológico, o Cine 104 reabre, hoje, com uma exibição especial do título “O Fim de Uma Era”, de Bruno Safadi e Ricardo Pretti. Depois de um mês fechada para reformas, a sala, com espaço para 85 espectadores, volta reajustada para abrigar um projetor digital DCP – formato digital de alta definição.

Amanhã, o 104 retoma o circuito com dois lançamentos premiados, mas que ainda não haviam estreado em Belo Horizonte. Melhor filme no Festival de Brasília do ano passado, “Branco Sai, Preto Fica”, de Adirley Queirós, foi aclamado pela crítica e já havia entrado, na semana passada, no circuito de capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo. Um pouco mais defasado está “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcanti, que venceu o Festival de Paulínia, no interior de São Paulo, cuja estreia no resto do Brasil aconteceu no fim de fevereiro.

“A diferença do 104 é que há uma curadoria”, destaca o programador cultural do espaço, Daniel Queiroz. “Poucas salas no Brasil têm isso, pois elas se pautam pelas distribuidoras. A construção que queremos fazer, em longo prazo, é que o público possa vir ao 104, sem saber efetivamente o que está passando, confiando apenas na curadoria”, diz.

Ter como referência apenas a relevância artística na escolha dos filmes, contudo, requer autonomia em relação às receitas geradas na bilheteria. Para se manter, portanto, o Cine 104 recorre ao incentivo público. Na reforma da sala, foram captados mais de R$ 300 mil pela Lei Rouanet, contabilizando gastos com os equipamentos e com a mão de obra.

“Não gosto de demonizar as salas comerciais, pois elas estão dentro de uma lógica de mercado, e os filmes que passam aqui não se enquadram nisso”, analisa Queiroz, que afirma que patrocínios e incentivos são essenciais para uma programação como a do 104.

Público. Para o programador cultural, o próximo desafio é investir na renovação do público de cinema, que não tem mais se renovado como antigamente. Para isso, estão programadas, para este ano, sessões comentadas e projetos com escolas. “É importante focar no público adolescente, que está em formação”, destaca Queiroz.

Um segundo foco é a divulgação do Cine 104 para a população que trabalha e reside nos entornos da praça da Estação. “É um desejo nosso aumentar a relação com esse público”, afirma Queiroz, que diz que serão distribuídos flyers promocionais nos estabelecimentos da região.

Hoje, haverá motivos de sobra: as duas sessões gratuitas, a presença dos diretores e equipe de “O Fim de Uma Era” e a recomendação do próprio Queiroz, que considera o filme uma “obra-prima do cinema nacional contemporâneo”.

Agenda

O quê. “O Fim de Uma Era”

Quando. Hoje, às 20h30 e às 22h

Onde. Praça Ruy Barbosa, 104, centro

Quanto. Entrada franca, sujeita à lotação

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