Um novo acervo à disposição

O compositor Andersen Viana lança, amanhã em BH, uma biblioteca digital de música contida no site “Cinemusic”

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Compositor. Andersen Viana frisa que o projeto da biblioteca digital de músicas contempla mais de três décadas de criação
daniel iglesias/arquivo/11.03.2011
Compositor. Andersen Viana frisa que o projeto da biblioteca digital de músicas contempla mais de três décadas de criação

Andersen Viana há cinco anos dedica-se ao trabalho de tornar disponível um grande arquivo sonoro batizado Biblioteca Digital de Música para cinema, vídeo e multimídia, que ele vai lançar amanhã, no anfiteatro do Pátio Savassi. Com essa iniciativa, o músico, professor e compositor mineiro permitirá a qualquer um ouvir 230 faixas compostas por ele e tornará viável, aos interessados em produzir trilhas sonoras, a pesquisa de matéria-prima útil para esse tipo de criação, no site “Cinemusic”, que está no ar. “O acesso é público, gratuito e universal para fruição. Utilizamos híbridas estéticas musicais, o que traz uma maior diversidade sonora. Qualquer pessoa pode entrar na página virtual da biblioteca e escutar as 230 faixas sem ter que pagar nada por isso. Caso alguém queira usar faixas de música, livremente de forma 100% legal, em projetos audiovisuais, de teatro, de dança, entre outros, há também essa possibilidade. Existe uma cessão de direitos específica para atender a isso”, esclarece Andersen Viana. Segundo ele, a iniciativa de tornar as faixas de música original livres para uso em projetos culturais, artísticos, corporativos, educativos e comerciais somente é possível porque ele detém os direitos autorais e conexos sobre os fonogramas. De acordo com o músico, algumas peças apresentadas na plataforma já foram utilizadas em filmes nacionais e estrangeiros, a exemplo de “A Cartomante”, de Wagner de Assis e Pablo Uranga, e “Trem Fantasma”, de Craig Singer. Contudo, além dessas, há muitas outras composições pouco conhecidas.

“A maior parte do conteúdo é de música inédita e que nunca foi utilizada em qualquer trabalho, seja de cinema, de teatro ou de dança. Com isso, nós esperamos ter a oportunidade de mostrar ao público as variadas possibilidades estéticas nesse ramo, longe da mesmice imperante e das estéticas dominantes, que de modo algum contribuem para a diversidade”, sublinha Viana, que promoveu o projeto com o patrocínio da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Percurso. Embora o artista esteja envolvido na organização do acervo desde 2010, o conjunto não reflete só um apanhado das criações nascidas nesses últimos anos. Ao acolher trabalhos concebidos desde a década de 1970, o músico vê, portanto, a biblioteca como uma espécie de síntese de sua trajetória. “Nós gravamos músicas escritas, por exemplo, em 1979. Então, eu acho que poderíamos entender esse projeto como o resultado de um processo criativo de uma vida inteira, ou pelo menos de 35 anos de atividades musicais ininterruptas”, sublinha Viana. Antes de colocar em prática o objetivo que levou à construção do “Cinemusic”, ele conta que contribuiu em outras propostas semelhantes no exterior. Foi a partir dessas experiências que ele enxergou a necessidade de se preencher uma lacuna percebida no Brasil. “A motivação para eu realizar isso aqui veio do trabalho que desenvolvi junto a outras bibliotecas digitais de música no Reino Unido e nos Estados Unidos, bem como de pesquisas realizadas na internet em sites de bibliotecas musicais de outros países, como Alemanha, Japão, França e Suíça. Depois disso, eu constatei a carência de algo nesse formato, e que fosse consistente, no Brasil, com amplo uso, artístico, cultural e mesmo comercial”, detalha Viana.  Se somadas todas as faixas disponíveis no sítio, ele observa ser possível gravar cerca de 18 CDs. Os gêneros variam e abarcam desde o clássico ao jazz. “Há algumas peças jazzísticas tradicionais como os ‘Quadros Musicais’ (1988) e os ‘Vocalijazzes’ (1987), até o experimentalismo ácido das ‘Sete Micropeças, para Theremin Solo’ (2014). Outras composições dividem-se em movimentos como nos casos da ‘Sinfonia 2 (Curral D’El Rey)’ e da ‘Sinfonia 3 (Terra Brasilis)’, esta última, gravada com a Moravska Filarmonie, na República Tcheca em 2002”, detalha.  Agenda o quê. Andersen Viana lança o site “Cinemusic” quando. Amanhã, às 19h30 onde. Anfiteatro do Pátio Savassi (av. do Contorno, 6061, Savassi) quanto. Entrada franca

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