‘Paciente faz papel de bobo’, diz gestor

Secretário cita os vereadores apenas de modo genérico, mas confirma que as irregularidades existiam ou ainda existem na marcação de consultas no Divino Braga

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

A gravação de uma fala de Rasível dos Reis, entregue à reportagem pelo vereador Marcão Universal (PSDB), confirma as acusações feitas pelo secretário durante uma das conferências regionais.

No áudio, o secretário cita os vereadores apenas de modo genérico, mas confirma que as irregularidades existiam ou ainda existem na marcação de consultas no Divino Braga. “Estamos fazendo grandes mudanças nas consultas especializadas, quebrando tabus. Estamos colocando a mão no Divino Braga. Estamos mexendo na zona de conforto das pessoas”, disse. O secretário, de modo claro, aponta o que, segundo ele, era uma irregularidade: “Tinha, sim, uma ‘agenda paralela’ na Regulação. Não é para ter mais. Não é para faltar para ninguém, mas, principalmente, para o paciente de alto risco, que não pode esperar, senão, (esse paciente) terá complicação e vai virar uma urgência. Vai para a UAI, para o hospital. Hoje, com a quantidade de coisas acontecendo, o médico não pode ser considerado inocente, e o gestor, muito menos”. Rasível continua, explicando como o “esquema” funcionava. “Sabe o que estava acontecendo? Alguma pessoa indicava o gerente, o gerente indicava o médico, o médico saía e ficava pedindo exame, consulta especializada para paciente que nem ficava sabendo que estava sendo marcado. Tinha até formulário de consulta de desistência. Outras pessoas (que não estavam na fila) ficavam sabendo através de vereador, líder comunitário. Pode ser qualquer outra pessoa, que pegava e falava: ‘vão ter dez desistências hoje para cardiologista do Divino Braga’; ‘vai para fila para você consultar como desistência’. Aí, a consulta saía como desistência. Uma pessoa que nem na lista de espera estava era privilegiada”, explica.

Por fim, ele conclui: “Eu cheguei a falar mesmo: vocês me desculpem a sinceridade, mas quem estava na fila, estava fazendo papel de bobo, porque nunca ia ser chamado. Não tem cabimento um negócio desses. Agora, estamos organizando o Divino Braga”.

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