Amamentação interfere na renda e na escolaridade

Estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas foi feito com 3.500 recém-nascidos

iG Minas Gerais |

São Paulo. Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas, com 3.500 recém-nascidos, mostra que crianças amamentadas por mais de um ano têm escolaridade 10% superior àquelas que não completaram um mês de alimentação com leite materno.

O efeito sobre a renda foi o mesmo. Crianças com maior período de amamentação tornaram-se adultos com renda 33% superior a dos que não receberam leite materno por mais de 30 dias, afirma o estudo publicado na edição de ontem da revista “The Lancet Global Health”.

“Já sabíamos que a amamentação auxiliava no desenvolvimento da inteligência. Esse trabalho traz as primeiras evidências dos efeitos práticos desse benefício”, afirmou um dos líderes da pesquisa, Cesar Victora.

O grupo de pesquisa acompanhou dados de crianças nascidas em 1982 na cidade gaúcha de Pelotas. O banco de dados trazia inicialmente informações de 6.000 participantes. Os voluntários fizeram ao longo dos anos quatro avaliações de grande porte. Na última, com indivíduos já com 30 anos, além de testes de QI, foram incluídas questões sobre renda e escolaridade. Foram avaliados nessa etapa dados de 3.493 participantes.

A variação na escala de QI é de três pontos da média. Os pesquisadores atribuem os resultados a uma combinação de fatores. Um dos mecanismos que provavelmente exercem grande influência no maior desenvolvimento da inteligência é a presença de ácidos graxos saturados de cadeia longa no leite materno e o impacto do leite materno na ativação de genes.

Lei em SP

Um projeto de lei em São Paulo, que vai para a sanção do prefeito Fernando Haddad, prevê multa de R$ 500 para o estabelecimento que proibir ou constranger uma mãe durante a amamentação.

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