Al-Assad nunca participará das negociações de paz

"Representantes do regime da Síria devem fazer parte do processo, mas o próprio presidente não", segundo porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jennifer Psaki

iG Minas Gerais | AFP |

Al-Assad nunca participará das negociações de paz
Associated Press
Al-Assad nunca participará das negociações de paz

O Departamento de Estado americano tentou novamente minimizar nesta segunda-feira (16) as declarações de seu secretário de Estado, John Kerry, ao assegurar que o presidente sírio, Bashar al Assad, não participará jamais das negociações de paz sobre a Síria.

Perguntado durante entrevista no domingo (15) à emissora americana CBS se negociaria com Assad, Kerry disse que "afinal, será preciso negociar" com ele para por um fim ao conflito sírio, que deixou mais de 215.000 mortos em quatro anos.

"Se estiver disposto a celebrar negociações sérias sobre como aplicar (os acordos de) Genebra I, logicamente", declarou.

No entanto, nesta segunda, a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki, disse que "representantes do regime de Assad devem fazer parte do processo" de paz, mas o próprio Assad não participará "jamais". "Não é o que Kerry queria dizer", acrescentou.

O chefe da diplomacia americana, que se reuniu em várias ocasiões com Assad quando era senador, disse que estas negociações serão mantidas no âmbito do processo de Genebra de 2012, que prevê uma transição política na Síria.

Enquanto as declarações de Kerry continuam despertando duras críticas no exterior, Psaki explicou que o funcionário "utilizou Assad como um atalho" para se referir a todo o regime sírio.

A oposição moderada síria se nega categoricamente a negociar com Assad, lembrou Psaki.

"Obviamente não podem negociar com vocês mesmos", afirmou Psaki. "São necessários representantes da oposição e do regime na mesa", acrescentou.

Mas, destacou, "não há nenhum processo em curso, nenhum processo a ponto de começar, portanto tudo é puramente teórico".

Neste domingo, outra porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, se apressou em esclarecer que a posição americana não mudou.

"Não há futuro para um ditador brutal como Assad na Síria", escreveu Harf em um comunicado.

Já Bashar al Asad disse na segunda-feira que espera "atos" dos Estados Unidos depois das declarações de Kerry, enquanto a oposição criticou as declarações do chefe da diplomacia americana.

Aliados dos Estados Unidos, como o Reino Unido e a França, se distanciaram das declarações de Kerry.

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