China produz, em 18 dias, o aço que o Brasil faz durante um ano

Com a correção do câmbio, Lopes acredita que haverá uma grande melhoria da competitividade no sentido de poder enfrentar as importações

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Aço produzido na China é muito mais competitivo que o brasileiro
ap photo – 30.5.2012
Aço produzido na China é muito mais competitivo que o brasileiro

Com 29 usinas administradas por dez grupos e R$ 71,4 bilhões em faturamento, o Brasil está produzindo 34,2 milhões de toneladas de aço bruto por ano, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil. Mas a produção anual de aço no Brasil equivale a apenas 18 dias de produção na China, segundo o presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes, que participou de seminário em Belo Horizonte.

Diante de tal abismo, Lopes disse que o país precisa crescer. “A relação de Produto Interno Bruto (PIB), consumo e desenvolvimento é o primeiro grande problema. Depois, é preciso corrigir a perda de competitividade do setor”, apontou. Para o executivo, várias medidas são emergenciais, mas corrigir o câmbio é fundamental. “Os estudos mostram uma defasagem no câmbio; se corrigisse isso, o país estaria tendo que trabalhar com um câmbio de R$ 3”, disse. Com a correção do câmbio, Lopes acredita que haverá uma grande melhoria da competitividade no sentido de poder enfrentar as importações. “O governo vai ter que fazer um ajuste fiscal, e isso vai fazer com que o país sonhe em poder investir em coisas que demandam aço”, defendeu. Para Lopes, a presidente Dilma tem um crédito de confiança para poder atacar aquilo que o setor entende que é a prioridade, que é a sobrevivência da indústria de transformação. Também nesse setor, Lopes enxerga um cenário difícil para 2015. “No curto prazo, não tem solução”, afirmou, referindo-se ao excedente de aço no mundo. Atualmente, existem 570 milhões de toneladas de aço excedente, e a China responde por 280 milhões de toneladas. Lopes se preocupa com o aumento das importações. “Chegaremos a 53,2% do nosso consumo via importação em 2023”, calculou. Em 2013, esse percentual já atingiu 32,1%.

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