A voz feminina que explora os universos masculinos do campo

Sempre Um Papo recebe escritora Ana Paula Maia para falar de seu último livro, no Palácio das Artes

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


Autora carioca vem a Belo Horizonte falar de sua carreira
Marcelo Correa
Autora carioca vem a Belo Horizonte falar de sua carreira

A escritora carioca Ana Paula Maia mudou bastante desde o lançamento de seu primeiro livro, “O Habitante das Falhas Subterrâneas”, em 2003. De la para cá, conta ela, construiu “tijolo por tijolo” sua carreira até chegar ao ponto que se identifica e pelo qual é vista: uma exploradora do universo masculino. O aspecto é claro em seu último trabalho, “De Gado e Homens”, objeto principal da discussão na edição do Sempre Um Papo de hoje, no Palácio das Artes, que conta com a participação da autora.

Lançada em 2013, a última obra de Ana Paula faz parte da trilogia “Saga dos Brutos”, cujos livros são povoados por protagonistas do sexo masculino que vivem e desempenham seus trabalhos no campo. Em “De Gado e Homens”, um abatedouro de gado é pano de fundo para a história de um dos funcionários do negócio. Completam a trilogia “Carvão Animal” (2011) e “Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos” (2009). “Tenho me debruçado na relação do gênero masculino com seu ambiente de trabalho, principalmente naquelas funções que eu nunca conseguiria fazer”, conta Ana Paula, ao deixar claro que a história de cada um dos livros segue uma ordem cronologicamente decrescente quando consideradas as datas de lançamento.

Curiosamente, porém, a ideia do livro “De Gados e Homens” foi a primeira a ter nascido. “Estava no supermercado e fiquei olhando para as pessoas comprando carne enrolada no plástico e comecei a refletir como aquilo faz parte de nossa rotina. Daí veio a vontade de explorar a vida do sujeito que mata o boi e não de quem o compra. Mas não conseguia desenvolver essa ideia”, relata Ana.

A inércia prolongou-se até receber uma visita de um velho conhecido. “Estava com problemas para escrever até trazer o Edgar”, comenta. Edgar Wilson é um personagem que transita entre as últimas duas obras da saga. “Não o vejo como meu lado masculino. Ele já é uma entidade externa, um parceiro”, diz.

Com relação à linguagem, os leitores iniciantes irão encontrar densas descrições e pouca entrega explícita do perfil psicológico dos personagens. “Às vezes a gente esquece que nossas reações e emoções estão relacionados com o ambiente que nos cerca. É por isso que exponho ideias e personalidades tanto pela descrição do espaço como também por meio de sutilidades, como o simples ato de tomar café. É assim na realidade: você não conhece alguém de uma hora para outra, é preciso tempo, é preciso você ver como essa pessoa se relaciona com outras. Além disso, essa forma de apresentar os personagens gera lacunas interpretativas que considero muito saudáveis. Afinal, não é porque sou a autora que sou onisciente”, diz.

Agenda

O quê. Sempre um Papo com Ana Paula Maia

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Palácio das Artes - Sala Juvenal Dias (avenida Afonso Pena 1.537, centro)

Quanto. Entrada franca

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