Abstenção no Vale chega a 31%

Região tem seis cidades entre as dez mais ausentes de Minas, e a causa pode ser migração

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

Vice. Minas Novas: 41% dos eleitores não foram, mas o prefeito acredita que “quase todo mundo foi”
Divulgacao/Prefeitura de Minas Novas
Vice. Minas Novas: 41% dos eleitores não foram, mas o prefeito acredita que “quase todo mundo foi”

Conhecida como uma das regiões economicamente menos favorecidas do Estado, o Vale do Jequitinhonha foi o campeão de abstenção nas eleições do domingo passado. De acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), das dez cidades com o maior número de eleitores ausentes, seis são da região e o restante de áreas vizinhas. A média de ausências das 51 cidades da região chega a 31,84%, mais de dez pontos percentuais acima da média do Estado. Em Jenipapo de Minas, a campeã de abstenções, dos cerca de 5.600 eleitores aptos a votar, mais de 2.300 não compareceram, um índice de 41,8%.

O caso do Vale do Jequitinhonha é extremo, mas a média do Brasil não é menos preocupante. Em todo o país, o índice de abstenção foi de 19,39%. Em Minas, o número chegou a 20,02%. Ambos os índices foram os maiores para primeiro turno desde 1998. Para alguns cientistas políticos, o baixo comparecimento é reflexo direto do desinteresse político.

“Há uma desconexão da vida política. Muitos saem da votação desconfiados de que a eleição está comprada. Infelizmente muita gente já perdeu a esperança no Brasil”, afirma o coordenador do curso de relações internacionais do Centro Universitário Newton Paiva, Leandro César Diniz.

O coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC-Minas, Robson Sávio, acredita que os próprios eleitores também contribuem para o desânimo geral. “Há um discurso de criminalização da política que é feito por vários segmentos da sociedade, pela mídia e até por parte dos políticos. Isso desestimula as pessoas a participarem do processo eleitoral”, avalia.

No caso do Vale do Jequitinhonha, Robson Sávio avalia que a pobreza pode ter sido mais um fator. “São locais preteridos pelos governantes e que estão longe do poder central, é muita pobreza, muita miséria, somada à ideia de que política não resolve nada, a pessoa pensa: ‘por que eu vou votar?’”, explica o cientista político.

Estradas e vias em mau estado de conservação também podem contribuir para o aumento do índice de abstenção, principalmente se os habitantes têm dificuldade de chegar aos locais de votação. Mas o diretor do Foro Eleitoral de Belo Horizonte, Carlos Henrique Perpétuo Braga, descarta essa hipótese.

“As seções eleitorais são próximas, nós procuramos facilitar ao máximo a vida do eleitor, fazendo com que ele se desloque o mínimo possível”, afirma. O diretor aventa outra hipótese, a da emigração. “Ainda é preciso fazer uma pesquisa, mas pode ser um fenômeno migratório. As pessoas saem do Vale do Jequitinhonha para irem trabalhar em outras cidades, e nem sempre transferem o título de eleitor”, afirma ele. O que não deixa de atestar certo desinteresse do eleitor com a escolha dos representantes.

Na pequena Minas Novas de 22 mil habitantes, no Vale do Jequitinhonha, o índice de abstenção foi de 41,6%, o segundo mais alto do Estado. O que significaria que quase metade da população não saiu de casa para votar. Não foi o que viu o prefeito Gilberto Gomes da Silva. “Aqui o pessoal quase todo votou sim. Tem pessoas que estavam desanimadas com a política, mas a maioria foi. Agora, temos, sim, muitas pessoas que emigram ou que viajam para trabalhar. Pode ter sido isso”, tenta justificar o prefeito.

Reduto

Deu Dilma. Como grande parte da porção norte de Minas Gerais, os dez municípios com maior índice de abstenção votaram pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

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