A primeira vez do cinema hollywoodiano

Vencedor do Oscar de melhor direção, “A Primeira Noite de um Homem” continua retrato fiel da juventude

iG Minas Gerais | daniel oliveira |


Dustijn Hoffman contempla seu futuro na icõnica imagem criada por Nichols
COLUMBIA
Dustijn Hoffman contempla seu futuro na icõnica imagem criada por Nichols

Quando estreou em 1967, “A Primeira Noite de um Homem” foi um fenômeno com o público jovem nos EUA. Até então, protagonistas jovens no cinema hollywoodiano eram definidos por sua ambição profissional, ou uma paixão impossível, ou outro “grande objetivo”. Para um retrato realista da sensação de incerteza e questionamento existencial dos 20 e poucos anos, era necessário recorrer ao cinema europeu – especialmente à Nouvelle Vague.

E foi exatamente o espelho dessa geração que o filme do diretor Mike Nichols, exibido hoje às 21h na mostra “Nova Hollywood”, proporcionou. Adaptado do romance de Charles Webb, o longa acompanha Ben Braddock (Dustin Hoffman) que, sem saber o que fazer da vida após a faculdade, é seduzido pela icônica Mrs. Robinson (Anne Bancroft), enquanto começa a namorar com sua filha, Elaine (Katharine Ross).

As formas visuais encontradas por Nichols para aprisionar Ben no quadro, mostrando como ele se sente em relação aos planos literalmente plastificados dos pais para sua vida, produziram algumas das imagens mais icônicas do cinema norte-americano nos anos 1960. A mais famosa delas provavelmente é a que foi parar no cartaz, com Hoffman cercado em um canto pelas pernas de Anne Bancroft. Em outra delas, Ben flutua submergido na piscina, com óculos de mergulho – talvez o melhor retrato de uma geração que não conseguia respirar, sufocada pela obrigação de viver uma vida perfeita após os pais terem vencido a maior guerra de todos os tempos. Uma das últimas é Hoffman batendo no vidro da igreja, sem ser ouvido pelos adultos – e mesmo com a liberdade da estrada no final, Ben e Elaine parecem mais perdidos do que nunca.

Some a isso as performances de Bancroft e Hoffman – realistas, sutis e destoantes do tom afetado dos clássicos dos anos 1950. E a trilha antológica das canções de Simon & Garfunkel, dando ao filme um sabor jovem e moderno inconfundível. E é fácil entender porque “A Primeira Noite de um Homem” continua tão jovem hoje quanto há quase 50 anos.

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