Um tema, múltiplas questões

Projeto Diálogos a Três promove discussão entre escritores sobre literatura e novos suportes hoje, no Letras e Ponto

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |



Experiência.

 João Melo falará sobre a diferença sensorial entre ler um livro impresso e um e-reader
Wladia Drummond
Experiência. João Melo falará sobre a diferença sensorial entre ler um livro impresso e um e-reader

Discussões acerca do futuro do livro impresso e as reverberações que os livros digitais têm no mercado, na produção editorial e na forma como o leitor se relaciona com as obras é foco da edição do Diálogos a Três que acontece hoje, no espaço cultural Letras e Ponto.

O assunto, que vem sendo discutido cada vez mais desde 2008, quando teve início o processo de popularização de e-readers, terá seus contornos discutidos e novas fontes apresentadas pela voz dos debatedores convidados Christiane Tassis e João Batista Melo, ambos escritores. Para mediar a conversar da dupla, foi chamado o doutor em ciência política André Rubião. “Ainda não há um consenso sobre o rumo dos dois suportes”, diz Melo justificando a realização do debate.

Para ele, ao contrário do que aconteceu com a música e com o cinema, a literatura possui especificidades que permitem a continuidade tanto do suporte digital quanto do impresso. “Escutar música pelo computador ou pelo mp3 player não mudou tanto a experiência do usuário com relação ao produto. Há diferenças, com perda técnica, mas são poucas. Algo parecido acontece com o cinema. Mas com o livro é diferente, pois tocar no objeto, passar as páginas e até cheirar o livro faz parte da experiência. Isso é algo que o livros digitais ainda não supriram”, defende.

Melo já publicou sete livros em sua trajetória e alega que, com a proliferação de meios para publicação de livros digitais, as oportunidades aumentam para novos escritores. “Hoje em dia, com a possibilidade de autopublicação é possível pular o árduo processo que as editoras impõem. Meu último livro (“Malditas Fronteiras”, que recebeu o Prêmio Nacional Cidade de Belo Horizonte), por exemplo, foi rejeitado por sete editoras até que uma decidisse publicá-lo”, afirma.

Christiane Tassis, por sua vez, alega que a vida dos escritores foi completamente transformada com a presença dos novos suportes. Redatora publicitária, ela viu sua carreira de autora profissional começar quando seus textos foram publicados no extinto site Paralelo. Depois disso, lançou duas obras impressas: “Sobre a Neblina” e “O Melhor do Inferno”. “Há um fomento a novos talentos inerentes a esse novo meio”, diz.

Para a escritora, uma área dentro da produção literária que ainda não sofre tantas influências é a narrativa. “Os textos que serão publicados na internet tendem a ser menores e há aspectos que são levados em consideração quando a obra será apenas digital. Mas acredito que os escritores se preocupam primordialmente em contar uma boa história”, opina.

Além dessas questões, também devem surgir questões sobre o futuro do livro impresso. Com relação a isso, a opinião dos debatedores é a favor do velho formato. “Acho que a indústria editorial se preparou bem e têm conseguido manter o número de vendas”, diz Melo. “Vivemos um processo de incorporação e não de completa modificação de suporte”, conclui Christiane.

Agenda

O quê. Diálogo a Três

Quando. Hoje, às 20h

Onde. Letras e Ponto (rua Aimorés, 388/501, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave