Soraya Hissa

Soraya Hissa, 55 Médica e psicanalista que relata ter vivido, há dez anos, uma experiência de quase morte ao sofrer um choque hipovolêmico (perda de grandes quantidades de sangue e líquidos, que pode levar à morte em poucos minutos) Por Aline Reskalla

iG Minas Gerais |

O que a levou ao hospital?

Eu engravidei aos 46 anos por inseminação artificial para tentar obter células-tronco, porque, com eu tenho esclerose múltipla, essa era uma esperança de tratamento no futuro. Minha ideia era obter as células-tronco para congelar. Mas eu tive uma queda, e aconteceu o aborto. Perdi muito sangue e precisei ser internada. Quando estava trocando de roupa no hospital, só me lembro de ter gritado: “Gente, eu estou morrendo”. E caí. Quando acordei estava no bloco cirúrgico. O anestesista não deixava gotejar, mas apertava com força o ringer lactato (expansor de plasma, é como se fosse um soro) para tentar elevar rapidamente o nível de hemoglobina, que estava muito baixo.

O que você viu “do outro lado”?

Enquanto eu estava desacordada, vi que estava num lugar sem cores. Tinha um homem alto, forte, todo vestido de branco e de barba, me segurando nos braços. Eu senti o calor dele me beijando no rosto e ouvi sua voz: “Soraya, eu te amo, mas não é a sua hora. Volta”, ele me disse. E eu não queria voltar, porque a sensação é maravilhosa, de paz, não dá para explicar. Você não sente falta de nada, é uma sensação deliciosa. Eu consegui ver direitinho o que era daqui e o que não era. Não vi luz, nem passagem.

Quanto tempo durou isso?

Como você acordou? Quando eu acordei, o médico estava usando o desfibrilador. Tenho impressão de que foi muito pouco tempo, questão de minutos. O médico disse que eu estava fazendo uma cara horrível. “Lá estava bom, não estava?”, ele me perguntou, contando que teve vários relatos de pacientes que passaram por essa situação.

Como médica, qual seu diagnóstico da experiência?

Minha explicação é que realmente eu tive uma experiência de quase morte, que eu tive contato com o outro lado. Não sei quem era esse homem tão protetor, não sei se era meu anjo, meu Jesus, mas era completamente um mundo espiritual. Eu não esqueço de nenhum detalhe. Eu não tinha pulso. Foi um choque hipovolêmico, perdi muito sangue.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave