Oposição usará depoimento de ex-contadora como estratégia

Medida tem como objetivo desgastar a presidente Dilma Rousseff de olho no segundo turno das eleições

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A oposição quer usar o depoimento da ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff na CPI mista da Petrobras para desgastar a presidente Dilma Rousseff de olho no segundo turno das eleições. Deputados e senadores oposicionistas vão pedir que Meire Poza revele detalhes do esquema de corrupção que seria comandado pelo doleiro, com foco na Petrobras.

O depoimento da contadora está marcada para esta quarta-feira (8). Mesmo sem ter a certeza de que Poza contará o que sabe à CPI, os oposicionistas acreditam em danos ao governo no depoimento. "Ela era funcionária do Yousseff nessa grande teia de corrupção. Para votar, a sociedade precisa ter informações sobre tudo isso que acontecia dentro da Petrobras", disse o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

Dilma vai disputar o segundo turno das eleições para a Presidência com Aécio Neves, candidato do PSDB.

Os membros da oposição na CPI também vão insistir para que o STF (Supremo Tribunal Federal) permita à comissão de inquérito acesso à delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, preso por envolvimento no esquema de corrupção. Como a delação foi homologada pela Justiça, os integrantes da CPI dizem ter direito às informações.

Congressistas do DEM e PSDB querem ter acesso à delação antes do segundo turno. "A opinião pública deveria ter o direito de conhecer o que está lá dentro da delação. Esperamos que o procurador-geral da República faça as oitivas [depoimentos] dos envolvidos antes do período eleitoral", disse o deputado Francischini (SD-PR).

Em defesa de Dilma, os governistas afirmam que a presidente autorizou a Polícia Federal a investigar, sem esconder detalhes das irregularidades. "Hoje não há ação da Presidência da República para engavetar qualquer tipo de investigação. A presidente é quem mais incentiva a Polícia Federal. Não houve nenhuma pressão para a PF deixar de investigar", disse o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). Para Francischini, há uma "operação-abafa" do governo federal para impedir a revelação do conteúdo da delação de Paulo Roberto. "O governo está jogando pesadíssimo para que isso não seja revelado. Há uma costura política por trás para evitar que a CPI faça o governo perder votos", afirmou.

PALOCCI

Além de cobrar o acesso à delação, os oposicionistas também vão apresentar requerimentos para ouvir o ex-ministro Antônio Palocci. O objetivo dos congressistas é apurar denúncia de que Paulo Roberto teria recebido pedido de contribuição de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência em 2010.

Segundo a revista "Veja", o pedido foi feito por Palocci, que na época coordenava a campanha da petista.

O esquema de corrupção na Petrobras foi descoberto pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, deflagrada em março. A operação descobriu um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras que envolveu Costa, doleiros e fornecedores da estatal. Segundo a PF, uma "organização criminosa" atuava dentro da empresa.

Youssef era o operador financeiro do esquema bilionário que, segundo apontam as investigações, envolvia políticos e pode ter alimentado caixa dois de partidos. O doleiro seria o responsável por lavar dinheiro e repassar os recursos desviados a políticos.

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