Especialistas avaliam os rótulos

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Denis Marconi, do Taste-Vin
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Denis Marconi, do Taste-Vin

Para experimentar e avaliar os vinhos mineiros, o Gastrô convidou um time de seis sommeliers de restaurantes e lojas especializadas de Belo Horizonte: Denis Marconi (Taste-Vin), Gilmara Vesolli (Casa do Vinho), Gustavo Giacchero (Alma Chef), Júlia Grossi (Província di Salerno), Nelton Fagundes (Enoteca Decanter) e Renato Costa (Villa Roberti).

A degustação às cegas foi realizada na última terça-feira (30 de setembro), no salão Confrarias do Alma Chef. As garrafas degustadas foram cedidas pelas vinícolas.

Os seis sommeliers sabiam que iriam experimentar vinhos feitos em Minas, mas não tinham informações prévias sobre os rótulos, tipos de uvas e safras.

Entre opiniões diferentes sobre as bebidas (veja o quadro de avaliação), houve um consenso: os vinhos mineiros apresentam boa acidez, traço que tem bastante valor para os especialistas.

“É o tipo de bebida que quem entende e estuda vinhos bebe em casa”, afirma o sommelier Diogo Kelles, do Alma Chef, que foi o responsável pelo serviço da tarde – e, portanto, o único que sabia o que era experimentado (por isso, não entrou na avaliação mostrada ao lado).

Para Gustavo Giacchero, a característica mais ácida das bebidas as tornam mais fáceis de serem harmonizadas. “A gastronomia agradece. Todo prato pede acidez para limpar as papilas gustativas e quebrar a gordura”, afirma.

Ainda que objetivo da degustação não fosse competitivo, houve bebidas com desempenhos melhores e outros piores.

Os dois primeiros, brancos, saíram-se bem, com notas de frutas cítricas frescas, segundo os especialistas.

O rótulo que não se saiu bem, com três avaliações de apenas duas estrelas, foi o Maria Maria. Ainda que tenha conferido uma nota baixa, Nelton Fagundes fez uma ressalva, depois da revelação: “Já tinha experimentado o Maria Maria antes, e apesar de ainda não estar no ponto certo, já melhorou muito do que era. Está mais lúcido, mas acredito que o vinhedo ainda esteja muito jovem. A tendência é que melhore”, avaliou. Para a sommelier Gilmara Vesolli, porém, o desempenho foi bem avaliado, com quatro estrelas, embora ela acredite que ele devesse evoluir na taça.

O rótulo que todos eles já conheciam foi o Primeira Estrada, que vem evoluindo desde que foi lançado, em opinião unânime. Para Júlia Grossi, o rótulo trouxe “aromas de frutas vermelhas e um pouco de caramelo”. Na boca, mostrou-se “terroso e tostado, com leves especiarias e ótimo retrogosto, persistente”.

A surpresa da tarde, rótulo que nenhum deles conhecia, foi o cabernet franc Dom de Minas, o último a ser degustado e que teve a melhor avaliação. “Ele apresentou elegância, estrutura, complexidade”, comenta Renato Costa. Giacchero completa: “com certeza, na próxima revisão de carta do Alma, ele vai entrar”, diz.

Voz dissonante, Vesolli conferiu duas estrelas ao cabernet franc, para quem o vinho mostrou-se com aromas incômodos de aspargos. 

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