Em 1988, terrorista culpava Sarney por ter perdido emprego

Sequestrador em hotel lembra protesto político radical que terminou com duas mortes no passado

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

O caso em que um ex-candidato a vereador do PP invadiu um hotel em Brasília, exigindo que a presidente da República renuncie, entre outras coisas, faz lembrar outro protesto político radical ocorrido no Brasil na década de 1980. Em 1988, o desempregado maranhense Raimundo Nonato Alves da Conceição, na época com 28 anos, culpava o governo por ter perdido seu espaço no mercado de trabalho e sequestrou um avião com o objetivo de jogá-lo no Palácio do Planalto. O alvo era o então presidente José Sarney. Para o sequestrador, o responsável pela crise econômica que lhe custou a função na construção civil. O voo 375 da Vasp fazia o trajeto entre Porto Velho e o Rio de janeiro, com escala em Belo Horizonte. Foi na capital mineira que o sequestrador entrou no avião, que era pilotado pelo comandante Fernando Murilo de Lima e Silva, no dia 29 de setembro daquele ano. Armado de um revólver, Raimundo Nonato matou o copiloto, Salvador Evangelista, com um tiro na cabeça, quando este tentou responder a um chamado da torre de Brasília. Um outro copiloto foi ferido.  O plano só não deu certo pois o avião não tinha combustível suficiente para ir até Brasília, o que fez com que o sequestrador fosse convencido pelo piloto a pousar em Goiânia. Após um cerco da polícia federal no aeroporto, o maranhense decidiu usar um avião menor, levando o comandante como refém. O piloto conseguiu se desvencilhar e fugiu, enquanto o sequestrador foi atingido por um agente da Polícia Federal. Dias depois, Raimundo Nonato, ex-empregado da construção civil, morreu de infecção, em um hospital.

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